
Em 2010, o Atlético lançou, como uniforme de treino, uma camisa rosa, usada pelo zagueiro Cáceres
Os dois maiores clubes de Belo Horizonte vão aproveitar o momento para tentar superar um passado não muito distante marcado pela homofobia.
Para o Atlético a camisa rosa não chega a ser novidade: o time terá a peça nessa cor pela segunda vez em sua história. Já o Cruzeiro vai estrear a paleta após não ter participado da campanha da fornecedora em anos anteriores, quando Flamengo, Internacional e São Paulo lançaram a camisa.
Quando o Atlético apresentou o uniforme cor de rosa em 2010, a peça logo virou motivo de diversas manifestações homofóbicas por uma significativa parte da torcida celeste. Muitos atleticanos também foram contra a utilização e comercialização da peça pelo mesmo motivo. Na ocasião, a camisa fazia parte do material de treino do time na temporada.
Em 2018, o Galo e a Topper também lançaram uma camisa rosa, mas a peça era direcionada ao público feminino. Três anos depois, o time feminino do Galo, as Vingadoras, usaram um uniforme nessa cor.
Em 2018, o Galo e a Topper também lançaram uma camisa rosa, mas a peça era direcionada ao público feminino. Três anos depois, o time feminino do Galo, as Vingadoras, usaram um uniforme nessa cor.
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Algo semelhante aconteceu com o Cruzeiro em 2020 e 2021. Já parceiro da Adidas, o clube celeste rejeitou a camisa rosa por duas temporadas consecutivas.
Segundo apurou o Uol, a gestão anterior do Cruzeiro se sentiu pressionada por alguns conselheiros e organizadas que eram contra a utilização da cor. Oficialmente, a recusa foi justificada por alguns detalhes de confecção e de produção relacionados à Adidas.
Segundo apurou o Uol, a gestão anterior do Cruzeiro se sentiu pressionada por alguns conselheiros e organizadas que eram contra a utilização da cor. Oficialmente, a recusa foi justificada por alguns detalhes de confecção e de produção relacionados à Adidas.
Luta contra a homofobia
Em contato com a reportagem, o diretor de negócios do Cruzeiro confirmou a ação em conjunto com o Atlético, que será feita pelas redes sociais dos dois clubes e reforçou a nova mentalidade do clube, guiada por Ronaldo Nazário, na qual o posicionamento é de inclusão.
"Vamos ter a ação da camisa pelas redes sociais dos dois clubes. A gente sabe que em outros momentos o Cruzeiro optou por não fazer, não sei os motivos, pois não estava aqui ainda. Mas pela mentalidade que nós da diretoria temos aqui, faz todo sentido tê-la e apoiar essa causa tão importante como o Outubro Rosa. Não temos porque carregar preconceitos. Todo torcedor tem direito de amar seu clube e ser correspondido", disse o diretor.
Cruzeiro e Grêmio foram parar no STJD, no primeiro turno da Série B, por cânticos homofóbicos entoados pelas duas torcidas no Independência.
Ao clube celeste, o órgão aplicou uma multa de R$ 30 mil e homologou um acordo no qual o Cruzeiro teve de cumprir diversas ações de conscientização contra a homofobia. O Grêmio assinou o mesmo acordo e teve de pagar multa de R$ 20 mil.
Ao clube celeste, o órgão aplicou uma multa de R$ 30 mil e homologou um acordo no qual o Cruzeiro teve de cumprir diversas ações de conscientização contra a homofobia. O Grêmio assinou o mesmo acordo e teve de pagar multa de R$ 20 mil.
Após o episódio da denúncia feita pelo STJD, Ronaldo se posicionou sobre a questão em uma de suas lives fazendo duras críticas ao comportamento da torcida celeste. O dirigente chegou a dizer que torcedores com esse pensamento não eram bem-vindos aos jogos da Raposa.
"Quero lembrar a vocês que é um problema muito sério, é crime. O torcedor homofóbico não é bem-vindo aos jogos do Cruzeiro. Além de cometer um crime, vai estar prejudicando seu time. Recado para o cruzeirense e para todos. Não podemos mais tolerar esse tipo de comportamento. Vamos cumprir nossa obrigação, conscientizar o torcedor, isso não é bem-vindo nos nossos estádios", disse.