6 a 1 e 9 a 2 são alvos de provações entre cruzeirenses e atleticanos
Vivendo a maior disparidade técnica das últimas décadas, Cruzeiro e Atlético se enfrentam neste domingo, às 16h, no Mineirão, pela 9ª rodada do Estadual.
Pela diferença de investimento entre as equipes, a torcida alvinegra mostra otimismo com o placar do jogo diante do arquirrival. O Cruzeiro, por sua vez, também promete lutar por um resultado positivo, apesar das dificuldades sofridas dentro e fora do campo nos últimos anos.
Não faltam goleadas na história dos clássicos mineiros. A última partida marcante com placar dilatado ocorreu em 2011. Pressionado pelo risco do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro superou o momento difícil e venceu o Atlético por 6 a 1, em partida realizada na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.
Já o maior resultado entre os rivais ocorreu em 1927. No dia 27 de novembro, em jogo do Campeonato da Cidade, equivalente ao Campeonato Mineiro, o Galo não tomou conhecimento do então Palestra Itália e venceu por 9 a 2. O curioso é que esses dois jogos viraram motivo de provocação entre torcedores, jogadores e até diretorias.
A partida de 2011 foi também a maior goleada do Cruzeiro sobre o rival. Correndo risco de rebaixamento, o clube celeste fez uma partida inesquecível e venceu por 6 a 1. A goleaada cruzeirense foi construída com gols de seis jogadores distintos.
04/12/2011 - Cruzeiro 6 x 1 Atlético - Arena do Jacaré (Sete Lagoas) - Campeonato Brasileiro - foto: Arquivo EM27/04/2008 - Atlético 0 x 5 Cruzeiro - Mineirão (Belo Horizonte) - Campeonato Mineiro - foto: Arquivo EM26/04/2009 - Cruzeiro 5 x 0 Atlético - Mineirão (Belo Horizonte) - Campeonato Mineiro - foto: Arquivo EM04/04/1999 - Atlético 1 x 5 Cruzeiro - Mineirão (Belo Horizonte) - Copa dos Campeões Mineiros - foto: Arquivo EM17/11/1929 - Palestra Itália 5 x 2 Atlético - Barro Preto (Belo Horizonte) - Campeonato da Cidade. Na foto, Ninão, que marcou dois gols na partida. - foto: Arquivo EM
O meia Roger abriu o placar e fez assistência para Leandro Guerreiro marcar 2 a 0. Ainda no primeiro tempo, Anselmo Ramon e Fabrício ampliaram a vantagem. Na etapa final, Wellington Paulista e Ortigoza também balançaram as redes. Réver descontou para o Atlético.
A goleada virou motivo de brincadeiras. Os cruzeirenses passaram a sinalizar o seis com as mãos em fotos. Até jogadores entraram nas provocações. Os casos mais marcantes são do volante Leandro Guerreiro e do meia Roger. Guerreiro provocou os alvinegros em duas oportunidades - e em ambas ele já não estava mais no Cruzeiro. Vestindo a camisa do América, o volante exibiu o '6 a 1' em campo em jogos no Independência contra o Galo em 2014 e 2016.
Outro que também não perdeu a oportunidade de cutucar o maior rival foi o meia Roger. Em clássico na Arena do Jacaré em 2012, o armador e hoje apresentador de TV foi hostilizado pela torcida do Galo e respondeu colocando os dedos sobre a cabeça, mostrando o numeral seis. A diretoria do Cruzeiro também entrou no jogo: em uma clara provação, Roger foi escolhido como sócio 61 mil do clube, em 2014.
Superesportes elogiou atuação celeste: "Cruzeiro goleia Atlético e escapa de rebaixamento inédito em grande estilo". "A expectativa era de um clássico marcado pelo nervosismo. Uma só torcida presente, a do Cruzeiro, mandante, na Arena do Jacaré. E ainda a necessidade de vitória por parte do time azul, para se livrar de um rebaixamento que seria inédito na história do clube. Dentro de campo, porém, a previsão não foi confirmada. Os celestes se garantiram na Série A do Campeonato Brasileiro em grande estilo, com uma goleada de 6 a 1 sobre o Atlético, neste domingo, na última rodada", diz o texto. - foto: ReproduçãoNo jornal "O Estado de S. Paulo", a goleada também repercutiu no dia seguinte: "Cruzeiro enche a rede do rival e se salva". "O Cruzeiro respirou aliviado e escapou do rebaixamento na última rodada do Brasileiro com uma goleada história sobre o Atlético. Depois de péssimo desempenho em todo o segundo turno da competição, derrotou o arquirrival por 6 a 1 na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, com um futebol convincente", lê-se. - foto: ReproduçãoO jornal "Folha de S. Paulo" do dia seguinte dedicou a maioria das páginas ao Corinthians, que acabara de ser campeão brasileiro. No trecho em que tratou do clássico mineiro, mencionou as provocações da torcida celeste: "Ao fim da partida, cruzeirenses portavam faixas de 'incaível' e 'balança, mas não cai'". - foto: ReproduçãoO GloboEsporte.com expressou a surpresa por um clássico tão desequilibrado: "Nem o mais otimista dos cruzeirenses imaginaria um desfecho como o da tarde deste domingo, na Arena do Jacaré. Pressionado pelo risco de rebaixamento, o Cruzeiro enfrentu o Atlético sob o drama de poder cair para a Segunda Divisão empurrado pelo maior rival. A inseguração, a aflição e o temor eram flagrantes no rosto de cada jogador e de cada torcedor celeste. Mas, assim que a bola rolou, o time da Toca da Raposa colocou os nervos em ordem e simplesmente massacrou o adversário, aplicando a maior goleada da história sobre o Galo", diz o texto. - foto: ReproduçãoO IG destacou aspectos interessantes que dão mostras da tensão que envolvia o jogo: "Antes da partida, a torcida do Cruzeiro rezou um 'Pai Nosso', dando o tom de tensão e ansiedade por um bom resultado na Arena do Jacaré. Quando o presidente Zezé Perrella apareceu no estádio, foi logo hostilizado por quase toda a torcida presente. Um foguetório anunciou a entrada do Cruzeiro no gramado, com o time usando a camisa branca. E a superstição do uniforme deu certo", lê-se. - foto: ReproduçãoO jornal "O Globo" também destacou a goleada celeste: "Com requinte de crueldade", diz o título. "Nada mais ambíguo ao falar de futebol do que o desempenho do Cruzeiro em 2011. Pois, depois de fazer a melhor campanha da primeira fase da Libertadores, o time foi surpreendentemente eliminado pelo Once Caldas, nas oitavas de final, resultado que apagou o brilho do título estadual conquistado meses antes. O impacto foi tambanho que o time perdeu o rumo no Campeonato Brasileiro. Ontem, entrou em campo precisando vencer o Atlético para se livrar de um inédito rebaixamento. Ao golear por 6 a 1, maior placar da história do confronto, garantiu a permanência na elite e ainda tirou o arquirrival, prejudicado pela vitória do Bahia sobre o Ceará, da Sul-Americana de 2012", explica o periódico. - foto: ReproduçãoO Uol destacou o feito do Cruzeiro: "A goleada sofrida pelo Atlético por 6 a 1, na última rodada do Campeonato Brasileiro, na tarde de domingo, que decretou a permanência do Cruzeiro na Série A, foi a maior vitória imposta pelo maior rival na história do clássico mineiro. O alvinegro não havia ainda sofrido seis gols do arquirrival em uma mesma partida". - foto: ReproduçãoGoleada também repercutiu no Zero Hora, de Porto Alegre: "O Cruzeiro aplicou uma enorme goleada sobre o Atlético, neste domingo, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Com o 6 a 1, a Raposa garantiu a permanência na elite do futebol brasileiro. A vitória foi a maior da Raposa na competição nacional". - foto: Reprodução
Em 2017, a maior goleada dos clássicos completou 90 anos. O Galo precisava da vitória sobre o então Palestra Itália para conquistar o Campeonato da Cidade de 1927. O time alvinegro surpreendeu e venceu por 9 a 2. Segundo o Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro, o Palestra Itália jogou de forma displicente. Ainda segundo a publicação, o jogador Ninão, do Cruzeiro, afirmou, anos após a goleada, que os jogadores do clube celeste queriam evitar um novo título do América, por isso não se empenharam na partida.
27/11/1927 - Atlético 9 x 2 Palestra Itália - Estádio do América - Campeonato da Cidade. Na foto, o 'trio maldito' do Atlético, formado por Said, Jairo e Mário de Castro. - foto: Arquivo EM21/06/1936 - Atlético 6 x 1 Palestra Itália - Barro Preto (Belo Horizonte) - Amistoso. Na foto, Guará, que marcou três vezes, em jogo entre Atlético e América. - foto: Arquivo EM27/05/1942 - Atlético 6 x 1 Cruzeiro - Lourdes (Belo Horizonte) - Amistoso. Na foto, o time do Atlético. - foto: Centro Atleticano de Memória/Divulgação07/12/1947 - Atlético 6 x 2 Cruzeiro - Lourdes (Belo Horizonte) - Amistoso - Na foto, Lucas, que marcou dois gols no jogo. - foto: Centro Atleticano de Memória/Divulgação21/06/1953 - Atlético 5 x 0 Cruzeiro - Lourdes (Belo Horizonte) - Campeonato da Cidade. Na foto, Múcio, que marcou dois gols na partida. - foto: Arquivo EM
O destaque alvinegro era o ataque, conhecido como “Trio Maldito”, composto por Jairo, Mário de Castro e Said. A denominação do ataque já evidenciava o "poder de destruição" dos jogadores. Eles formaram um dos mais eficientes setores ofensivos do período amador do futebol brasileiro e, nesse jogo, fizeram oito dos nove gols: três de Said, dois de Mário de Castro e três de Jairo. Getúlio fez o outro. Ninão marcou os dois gols do Palestra Itália.
Décadas depois, o resultado ainda gera provocações aos cruzeirenses nas redes sociais. As gozações de torcedores também contagiaram jogadores e diretoria. Em 2014, Diego Tardelli e Marcos Rocha, dois dos atletas mais identificados com o Atlético nos últimos anos, comemoraram um gol no clássico exibindo os números das respectivas camisas, 9 e 2.
Na arquibancada, os atleticanos foram à loucura. Em maio de 2017, o lateral alvinegro voltou a provocar: fez um nove com os dedos na foto do pôster do título. Nem a diretoria do Galo deixou barato. Na comemoração do título Estadual daquele ano, o clube alvinegro postou uma imagem nas redes sociais com a taça e o meia Marlone de costas, usando a camisa 92. Quando atuava pelo Cruzeiro, em 2014, Marlone foi fotografado por torcedores fazendo o sinal de 6 a 1.
O "Diário Esportivo" registrou a goleada atleticana sobre o antigo Palestra Itália: "O Athletico, ante-hontem, obteve linda e fácil victória sobre o Palestra. Depois de haverem resistido no primeiro tempo, os palestrinos deixaram-se abater fragarosamente", lê-se. "Seria injusto de nossa parte se não realçassemos a linda victoria do Athletico Mineiro, obtida no último domingo, sobre a valorosa esquadra do Palestra Itálida. Com a nossa independência de costume e reconhecida imparcialidade, não podemos deixar de fazer elogiosas referências à magnífica atuação dos vencedores de ante-hontem, que souberam, durante toda a pugna, se empregar com temeridade bastante, fazendo-se melrecedores da victoria alcançada", diz o texto. - foto: Arquivo/EMO "Diário de Minas" também destacou o clássico e trouxe uma curiosidade: após a vitória, o "Athletico" (grafia utilizada na época) recebeu uma mensagem de "cordialidade esportiva" vinda do então presidente do Palestra Itália por telegrama: "Dr. Moura Costa. Nome directoria felicito Athletico Mineiro brilhante victoria hoje". - foto: Arquivo/EMA goleada história rendeu o título antecipado do Campeonato da Cidade, como destacou o "Minas Geraes". "Pela segunda vez, coube ao Club Athletico Mineiro, com o resultado da movimentada pugna de domingo, o título de campeão de Bello Horizonte%u201D, lê-se na edição número 10 do periódico, distribuída em 28 e 29 de novembro daquele ano. - foto: Arquivo/EMA seção 'Jogos e Desportos' do 'Correio Mineiro' de 29 de novembro deu espaço a algumas curiosidades relacionadas ao jogo. De acordo com a publicação, o então presidente do Atlético, Leandro Castilho de Moura Costa, deu uma mostra de superstição. Segundo o relato, o fotógrafo de uma revista da época quis 'bater uma chapa dos dois quadros'. As fotografias das equipes são comuns hoje em dia, especialmente em jogos decisivos. O presidente atleticano, entretanto, não gostou muito da ideia. 'Quando o photographo ia bater a chapa do quadro athleticano, o dr. Moura Costa, ilustre presidente do Athletico, interveio. Não queria que o seu quadro se deixasse photographar. Dava azar. O quadro perderia. Depois do jogo, sim. Deixaria bater a chapa', publicou o jornal. Dito e feito. A foto só foi tirada depois da vitória. O 'Correio Mineiro' também aproveitou para registrar o jantar no antigo restaurante Guarany por conta da vitória alvinegra. - foto: Arquivo/EM