
O simples anúncio de que o clássico entre Cruzeiro e Atlético seria disputado no Mineirão com a presença das duas torcidas foi o bastante para provocar um furor entre cruzeirenses e atleticanos. Mas se a estreia das equipes às 19h30 desta quarta-feira, pela Primeira Liga, será uma festa, vai representar também um teste para o Gigante da Pampulha – desde o comportamento dos torcedores às condições de segurança, transporte e funcionamento dos serviços.
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A realização do clássico, com a partilha das arquibancadas mexe com torcedores de ambos os lados e ganha apoio para que seja permanente. Partilhar o espaço no Gigante da Pampulha, assim como se divide uma mesa no almoço, é o pensamento do cruzeirense Fernando Mateus, de 31 anos, consultor de negócios, e do atleticano Daniel Felipe Pereira, de 37, coordenador de RH. Ambos aplaudem a medida. “Acho a ideia excelente, pois é hora de mudar a consciência do público. O clássico é ideal para as famílias. Além do mais, sem as duas torcidas ele não existe”, diz Fernando.
“O Mineirão é um dos maiores palcos do futebol brasileiro. Então, tem de ter as duas torcidas no seu maior jogo. Não fazer isso é desvalorizar o clássico. Tem condições, sim, de ter ambas as torcidas convivendo de forma pacífica. Não é afastando uma delas que se faz um espetáculo, que existe por causa da Galo e Raposa”, afirma Daniel.
O empresário Sérgio Vinícius Ferreira, de 42, ex-goleiro da base do Cruzeiro, mas atleticano, vai mais longe. Ele é a favor não só das duas torcidas, mas que ocorra também uma preliminar entre juvenis ou juniores dos dois times. “O clássico é a história do Mineirão. Não existe Independência. O que há é Mineirão para os dois. E para um jogador da base, uma preliminar o faz tomar gosto, é um estímulo para a carreira. E o principal: tem de reinar a paz.”
O alvinegro Anderson Fernandes, de 44, comerciante, diz que está vivendo um sonho ao poder ir novamente ao Mineirão com duas torcidas. “É fantástico. Voltamos à era de ouro do nosso futebol. Nunca concordei com uma torcida só. O duelo dos torcedores, um canta uma coisa, o outro canta de volta. Sinto falta disso. Espero que neste clássico se tenha mais consciência e que os torcedores estejam civilizados. O Mineirão é dos dois. Não precisa ninguém construir outro. Isso é possível.”
O celeste Luiz Henrique Luna, de 57, garçom, diz que agora o duelo voltará a ser clássico, pois os jogadores irão sentir em campo o que é a paixão de um lado e de outro. “Só 10% de uma torcida não existe. Será muito bacana voltar a ver as duas torcidas juntas. E o certo é que seja sempre no Mineirão.”
CONFIANÇA Danilo Milan de Souza, de 57, empresário e fã da Raposa, entende que a violência passa pela questão de ter jogo com uma só torcida. “Isso só aumenta a animosidade, a raiva. Essa separação foi responsável pelo aumento da violência entre as duas torcidas. A partir do momento em que as duas ocuparão o mesmo espaço para torcer por seu time, essa violência ficará de lado. Além do mais, Minas Gerais tem uma das melhores polícias militares do país, que tem toda a condição de dar segurança.”
“O clássico é a história do Mineirão. Mineirão para os dois”, Sérgio Vinícius Ferreira, empresário. “Essa separação foi responsável pelo aumento da violência”, diz Danilo Milan de Souza, empresário.