
Entre Messi e CR7, Pelé fica com os dois:
O certo é que a obsessão de Messi por jogar o credencia a multiplicar seus próprios feitos. Sua qualidade técnica, velocidade, habilidade na perna esquerda e vocação para o gol fazem dele um jogador quase perfeito, comparado a gigantes como Di Stéfano, Puskas, Cruyff, Maradona e Pelé.
É claro que comparações entre jogadores de épocas diferentes são recheadas de subjetividade. Enquanto uns dizem que antigamente o futebol era mais difícil, pois os times e jogadores eram melhores, o material esportivo ajudava menos e a ausência dos cartões vermelhos permitia aos defensores abusar da violência, outros afirmam que o futebol atual exige mais preparação física e, portanto, destacar-se é mais difícil. Além disso, os gols ficaram mais raros, o que amplificaria o mérito dos craques atuais.
Messi encontra instituto de crianças com câncer em Melbourne:
Polêmicas à parte, o certo é que a história de Messi sempre foi marcada pela precocidade e pela superação. Filho de Jorge Messi e Celia Cuccittini, Lionel nasceu em Rosário no dia 24 de junho de 1987, em um lar onde se respirava futebol. Desde sempre, seu objeto favorito era a bola. “Em minha família, somos todos ‘boleros’. Jogavam meus irmãos, meus primos, todos... o futebol sempre foi o tema principal em casa”, afirmou o craque sobre sua infância.
Seu primeiro clube foi o Grandoli, que ficava a algumas quadras de sua casa. Com apenas 4 anos, jogava entre garotos de 7 e já se destacava. Com 8, deu o primeiro impulso na carreira, passando a defender o Newell’s Old Boys, encaminhado pelo irmão Rodrigo, que jogava no clube. Mas ninguém podia sequer imaginar o salto que estava por vir. Muito menos que ele viria depois de um ‘drama pessoal’.
Quando completou 12 anos, Messi teve diagnosticado um problema congênito de crescimento, que retardava seu desenvolvimento ósseo. Em função disso, teve que realizar um tratamento hormonal. “Todos os dias tinha que levar uma injeção nas pernas como parte do tratamento. No início doía, mas depois você se acostuma”, se conformava o craque.
Os Messi só não tinham como se ‘acostumar’ com o alto custo do tratamento: cerca de US$ 900 mensais. O Newell’s foi convocado a ajudar, mas teria oferecido só 200 pesos por mês. A família resolveu tentar a sorte no exterior. Uma prima da avó de Messi vivia em Lérida, na Catalunha, e os acolheu. Messi foi observado por um olheiro e indicado ao Barcelona. O clube bancou o tratamento e também a mudança da família, naquele que seria um dos melhores investimentos da história do futebol mundial. Em 2000, quando tinha apenas 13 anos (e 1,40m de altura), Messi começou a defender o Barça.
Messi e seus 500 gols pelo Barcelona:
Suas duas primeiras temporadas não foram nada boas. Não pôsde jogar por meses, pois, revoltado em perder a sua joia, o Newell’s se negava a enviar a documentação para o clube espanhol. Foi necessária a intervenção da Fifa para resolver o imbróglio. Para piorar, Messi se contundiu logo em sua primeira partida. Mas não deixou que isso o abalasse.
Intercalando jogos no Barça B, no Barça C e no time juvenil, Messi assombrava a todos com jogadas de gênio e muitos gols. Aos 16 anos, foi chamado para o time principal, comandado pelo técnico holandês Frank Riijkaard. Sua estreia foi em um amistoso contra o Porto, em 16 de novembro de 2003, partida que marcou a inauguração do estádio do Dragão. Quando viram aquele jovem entrar em campo aos 29min do segundo tempo, os torcedores não podiam sequer imaginar que também se ‘inaugurava’ a história de um dos maiores gênios do futebol. “Nesse dia se cumpriu meu sonho”, Messi sempre repete.
Em um time que contava com jogadores como Ronaldinho, Xavi, Iniesta, Deco, Puyol, entre outros, Messi não teve dificuldade para se adaptar. Seu primeiro jogo oficial, entretanto, só veio em 16 de outubro de 2004, no clássico local com o Espanyol. O primeiro gol, em 1º de maio de 2005, contra o Albacete, após tabelinha com Ronaldinho. “Foi uma sensação inexplicável. Saí correndo ao encontro da torcida. Quando virei, lá estava Ronaldinho, vindo me abraçar”, relembra.
NO TOPO
Daí em diante, a história é mais do que conhecida. Já na temporada 2006/2007, com apenas 20 anos, estava entre os melhores. Ficou em segundo lugar no prêmio Bola de Ouro, atrás do brasileiro Kaká, então no Milan. Mas a glória não tardaria a chegar. Em 2009, tornou-se o jogador mais jovem eleito o melhor do mundo, então com 22 anos.
Suas marcas só melhoravam, quebrando recordes em sequência e conquistando vários títulos importantes pelo Barcelona. Faturou a Bola de Ouro mais três vezes consecutivas: 2010, 2011 e 2012. Neste último, entrou até para o Guinness book, com o recorde de gols em um só ano: 91 (79 pelo Barça e 12 pela Seleção Argentina). Ainda levou a Bola de Ouro em 2015.
Nas últimas temporadas, até mesmo em função de algumas contusões, teve um pouco do seu brilho ofuscado pelo português Cristiano Ronaldo. Mas seguiu transpondo as barreiras que surgiam em seu caminho. Hoje, é o maior artilheiro da história do Barcelona, com 587 gols, e da Seleção Argentina, com 58. E certamente ‘inflará’ esses números nos próximos anos.
Certa vez, questionada sobre o processo de maturidade masculina, a escritora austríaca Marie Von Ebner-Eschenbach afimou que “os homens se assemelham aos vinhos: a idade estraga os maus e melhora os bons”. Com certeza, a safra de Messi se insere nesta segunda ordem. Para a felicidade dos torcedores do Barça (e apesar de todas as especulações sobre uma possível transferência), o craque já teria renovado seu contrato com o clube até 2021. Então, que possamos seguir desfrutando, sem moderação.
Santo de casa faz milagre?
Se para os torcedores do Barcelona Messi é tratado quase como uma divindade, por incrível que pareça, o camisa 10 não desperta tal sentimento em muitos de seus conterrâneos. A crítica geralmente é a mesma: “ele não repete com a camisa alviceleste o desempenho exibido no clube espanhol”.
Podemos dizer que se trata de uma “meia verdade”. Não há como esquecer que Messi é muito mais vitorioso com o Barça: enquanto faturou 30 títulos no clube, foram só dois com a Seleção Argentina. Mas é inegável que a qualidade de seus companheiros na Espanha é bem superior. ‘Em casa’, Messi assume o protagonismo da equipe, elevando-a a um patamar que não teria sem ele.
E por pouco não teve mesmo. Como deixou a Argentina muito cedo, Messi era praticamente um desconhecido em seu país, mas já fazia sucesso quando atuava nas categorias de base da Espanha. Tanto que os dirigentes locais chegaram a tentar naturalizá-lo...
Para não perderem sua joia, os cartolas hermanos organizaram um amistoso da seleção Sub-20. Em junho de 2004, mesmo ainda com 17 anos, Messi foi convocado pelo técnico Hugo Tocalli para amistosos contra Paraguai e Uruguai. Entrou no segundo tempo contra os paraguaios, quando o placar já estava 4 a 0. Messi deixou sua marca, bem a seu estilo: pegou a bola no círculo central, partiu em direção ao gol, deixou três defensores para trás, driblou o goleiro e empurrou para as redes.
Era só o prenúncio do que viria. No ano seguinte, levou sua equipe ao título de campeã mundial sub-20, sendo o artilheiro (6 gols) e eleito o melhor jogador do torneio. Mas nem tudo seriam flores...
No embalo do título, foi convocado pelo técnico José Pekerman para a seleção principal, quando tinha apenas 18 anos. E a estreia não podia ser pior: no amistoso diante da Hungria, entrou no lugar de Lisandro López e ficou só 47 segundos em campo: foi expulso por dar uma cotovelada no adversário, que agarrou sua camisa ao tentar parar sua arrancada em direção ao gol. Achou que tinha ‘queimado seu filme’ na Seleção e nunca mais voltaria. Mas estava redondamente enganado.
Já na Copa de 2006, muitos o pediam como titular absoluto, mesmo com apenas 19 anos. Começou no banco, entrou no decorrer dos jogos, fez gol, mas não conseguiu ajudar a evitar a eliminação diante da Alemanha, nas quartas de final.
Com Messi de titular, a Argentina ‘encorpou’, mas bateu na trave na Copa América 2007, ficando com o vice-campeonato. No ano seguinte, liderou o grupo na conquista do ouro olímpico em Pequim’2008. Daí pra frente, passou a concentrar todos os holofotes sobre si. Disputou o Mundial de 2010 já como ‘o dono do time’. Em pouco tempo, era também o capitão da Seleção.
Mas uma triste sina parece marcar sua caminhada na Seleção. No último estágio, os resultados lhe escapam pelos dedos. Nos últimos anos, então, foram três vices-campeonatos consecutivos: Copa’2014, batido pela Alemanha, Copa América’2015 e Copa América Centenário’2016, em ambas superadas pelo Chile. De cabeça quente após a decisão do ano passado, Messi chegou a falar até em fim de seu ciclo na Seleção. “Penso que acabou pra mim a Seleção, não é pra mim”. Sorte dos Hermanos que ele voltou atrás e anunciou seu retorno pouco depois.
Maior artilheiro da história da Seleção Argentina, com 58 gols, e segundo jogador que mais defendeu o país, em 118 exibições (só perde para o lateral Javier Zanetti, com 145 jogos), até Messi se sente um pouco “em dívida”: “Trocaria minhas conquistas pessoais por ser campeão mundial com a seleção. Não se compararia a nada. Venho lutando por esse sonho”. Ele pode ter mais duas chances: na Rússia, no ano que vem, e no Catar, em 2022, quando terá 35 anos. Que não duvidem...
OS NÚMEROS DELE
No Barcelona
Jogos
583
Gols
507
Média
0,87 por partida
Na Argentina
Jogos
118
Gols
58
Média
0,49 por partida
TOTAL
Jogos
701
Gols
565
Média
0,81 por partida