Cruzeiro voltou a se manifestar sobre a saída do goleiro Fábio
O Cruzeiro voltou a se posicionar sobre a saída de Fábio, atleta que mais vezes vestiu a camisa celeste, em 976 oportunidades. Segundo o clube, muitas decisões impopulares precisam ser adotadas no momento de reestruturação financeira, organizacional, administrativa e esportiva. E a Sociedade Anônima do Futebol, que terá 90% das ações controladas pelo ex-jogador Ronaldo por um aporte de R$ 400 milhões, entendeu que o melhor caminho era oferecer um contrato de três meses ao goleiro de 41 anos.
Conforme a versão do Cruzeiro divulgada nesta quinta-feira, foi feito um “importante sacrifício econômico” para que Fábio seguisse na Toca até abril e encerrasse a carreira. A diretoria afirmou ao camisa 1 “que a proposta respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube”. No entanto, as partes não chegaram a um acordo, visto que o goleiro desejava um vínculo até dezembro de 2022, de modo que pudesse ajudar o time a brigar pelo acesso à elite do Brasileiro.
No fim da nota, o Cruzeiro esclareceu que “não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade”. Com a entrada de Ronaldo na condição de sócio-proprietário da SAF, o foco da instituição é implantar “uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento”.
Fábio (atrás de Sorín) foi campeão da Copa do Brasil de 2000. Na época, ele era o reserva de André. - foto: Arquivo/EM/D.APressNo retorno ao clube, em 2005, Fábio foi apresentado ao lado do volante Marabá e do lateral-esquerdo Athirson
- foto: Arquivo EM/D.A PressEm 2005, a torcida pegou no pé de Fábio acusando-o de falhar em duas cobranças de falta na eliminação do Cruzeiro para o Paulista de Jundiaí, na semifinal da Copa do Brasil. - foto: Arquivo EM/D.A PressNa segunda passagem pelo Cruzeiro, Fábio conquistou seu primeiro título em 2006, o Estadual, sobre o Ipatinga. - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2007, Fábio teve momento difícil no Cruzeiro, na goleada para o Atlético por 4 a 0, na final do Mineiro. No quarto gol, ele estava de costas no momento da finalização de Vanderlei - foto: Arquivo EM/D.A PressEm 2008, Fábio ergueu o troféu do Campeonato Mineiro, depois de goleada por 5 a 0 sobre o Atlético na final. - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2008, Fábio fez uma bela defesa de pênalti cobrado por Nilmar, e ajudou o Cruzeiro na briga pelo título nacional. O clube celeste acabou a competição em 3º lugar. - foto: Arquivo/EM/D.APressO título mineiro de 2009 foi conquistado com nova goleada por 5 a 0 sobre o rival Atlético. - foto: Arquivo/EM/D.APressNo primeiro jogo da final da Libertadores de 2009, Fábio teve uma de suas melhores atuações com a camisa do Cruzeiro. Ele foi o grande responsável pelo placar de 0 a 0, na Argentina. Na partida de volta, porém, o clube celeste acabou derrotado por 2 a 1 para o Estudiantes, no Mineirão. Em 2009, Fábio defendeu pênalti cobrado por Ronaldo Fenômeno, no Mineirão. - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2011, Fábio levantou o troféu de campeão mineiro sobre o rival Atlético. - foto: Arquivo EM/D.A PressFábio conquistou o prêmio Bola de Prata da Revista Placar em 2010 e 2013, como melhor goleiro do Brasileirão - foto: Arquivo/EM/D.APressFábio conquistou o prêmio 'Craque do Brasileirão', da CBF, em 2010 e 2013, como melhor goleiro do Brasileiro - foto: Arquivo/EM/D.APressFábio conquistou seu quarto título mineiro em 2011, depois de vitória por 2 a 0 sobre o Atlético, na Arena do Jacaré - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2012, Ronaldinho Gaúcho entrou para a lista de jogadores que tiveram cobranças de pênalti defendidas por Fábio - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2013, Fábio pegou pênalti e rebote de Fred, no Maracanã, pelo Brasileiro - foto: Arquivo/EM/D.APressNo jogo em que o Cruzeiro comemorou o título brasileiro de 2013, Fábio fechou o gol, contra o Grêmio, no Mineirão - foto: Arquivo/EM/D.APressCapitão Fábio ergueu o troféu de campeão brasileiro de 2013 - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2014, Fábio conquistou seu quinto título mineiro depois de empate em 0 a 0 com o Atlético no Mineirão - foto: Arquivo/EM/D.APressNo Brasileiro de 2014, Fábio foi importante na vitória sobre o Grêmio, por 2 a 1, em Porto Alegre, que deixou o Cruzeiro a um passo do título - foto: Arquivo/EM/D.APressCapitão Fábio voltou a erguer o troféu de campeão brasileiro em 2014 - foto: Arquivo/EM/D.APressEm 2015, Fábio foi o herói da classificação do Cruzeiro nas oitavas de final da Libertadores, sobre o São Paulo, ao defender dois pênaltis. Na ocasião, ele pegou uma cobrança de Luís Fabiano pela terceira vez na carreira - foto: Arquivo/EM/D.APressFábio defendeu a cobrança de Luan na disputa de pênaltis contra o Grêmio, pela semifinal da Copa do Brasil de 2017, e levou o Cruzeiro à decisão - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressEm 2017, Fábio defendeu a cobrança de Diego na disputa por pênaltis contra o Flamengo e deu o quinto título da Copa do Brasil ao Cruzeiro - foto: Ramon Lisboa/EM/D.A PressFábio foi decisivo nos pênaltis contra o Santos, na Copa do Brasil de 2018. Ele fez três defesas e colocou o Cruzeiro nas semifinais do torneio - foto: Arquivo EM/D.A PressEm carretada por BH, Fábio comemora título da Copa do Brasil 2018, vencido contra o Corinthians, com os companheiros de Cruzeiro - foto: Douglas Magno/AFPFábio é o maior vencedor do Troféu Telê Santana, com 19 prêmios conquistados - foto: Arquivo/EM/D.APressFábio encerrou a passagem pelo Cruzeiro com 976 jogos disputados, sendo o jogador que mais vestiu a camisa celeste na história
- foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Estadão ConteúdoNos 976 jogos pelo Cruzeiro, Fábio defendeu 34 pênaltis defendidos e comemorou 12 títulos - dois Campeonatos Brasileiros (2013 e 2014), três Copas do Brasil (2000, 2017 e 2018) e sete Campeonatos Mineiros (2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019). - foto: Gustavo Aleixo/CruzeiroFábio não chegou à sonhada marca de 1000 jogos pelo Cruzeiro. Ele acertou contrato para 2022, mas acabou dispensado pela gestão da SAF do Cruzeiro antes do início da temporada - foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Nessa quarta-feira, Fábio publicou uma carta no Instagram informando aos fãs que não ficaria no Cruzeiro em 2022. Ele aceitou repactuar os vencimentos atrasados e receber salários dentro do orçamento estabelecido pela SAF, que, mesmo assim, manteve a oferta de renovação por apenas três meses. Assim, ele entendeu o recado de que a direção não desejava mais contar com sua colaboração.
“Compareci no dia 4 de janeiro no horário marcado para ouvir à diretoria: de todo meu coração, segui para o Clube feliz e tranquilo aberto a escutar e ajudar no que fosse preciso, mas para minha surpresa, a atual diretoria foi clara que não desejava contar comigo desportivamente para 2022”.
Fábio se reuniu com Pedro Martins, diretor executivo do Cruzeiro, e Gabriel Lima, responsável pelos negócios do Real Valladolid, da Espanha, outro clube de Ronaldo. Segundo o goleiro, o ex-zagueiro Paulo André, homem de confiança do Fenômeno na gestão de futebol, estava em uma sala ao lado na Toca e nem sequer o cumprimentou.
A dispensa de Fábio gerou grande repercussão nas redes sociais. Familiares, ex-jogadores, organizadas e torcedores publicaram mensagens de apoio ao goleiro, além de críticas a Ronaldo, Paulo André e profissionais atuantes na SAF do Cruzeiro. Adeptos de outros clubes também manifestaram surpresa com o tratamento ao ídolo.
Fábio tem cerca de R$ 10 milhões a receber do Cruzeiro, referentes à repactuação salarial estabelecida em janeiro de 2020, quando o clube perdeu mais de 60% de suas receitas em razão do rebaixamento à Série B. A tendência é que esse valor entre no Regime Centralizado de Execuções, ao qual a SAF destinará 20% de suas receitas mensais para pagamento de dívidas da associação civil, hoje calculadas em R$ 1 bilhão.
Titular do Cruzeiro desde 2005, além de uma breve passagem em 2000, Fábio conquistou 12 títulos: dois Campeonatos Brasileiros (2013 e 2014), três Copas do Brasil (2000, 2017 e 2018) e sete Campeonatos Mineiros (2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019). Individualmente, levou os prêmios de melhor goleiro do Brasileirão de 2010 e 2013.
Sem Fábio, o Cruzeiro tem apenas Lucas França como goleiro do elenco principal. A estreia no Campeonato Mineiro é daqui 20 dias, em 26 de janeiro (quarta-feira), no Mineirão, contra a URT. Até lá, o clube espera anunciar um ou dois jogadores da posição.
LEIA A NOTA OFICIAL DO CRUZEIRO
O Cruzeiro esclarece à sua torcida pontos importantes sobre a não renovação do goleiro Fábio. É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares, mas precisam ser adotadas.
O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou.
A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente.
O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem. Inclusive, o Cruzeiro segue aberto para que inúmeras homenagens extracampo aconteçam.
Não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade. O Cruzeiro tem clareza de que não há outra forma de manter a história de um dos maiores clubes de futebol do mundo que não seja com uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento.