Conselho do Cruzeiro aprova contas de 2020 com déficit de R$226,5 milhões
Reunião virtual contou com a participação de 80 conselheiros
Redação
Conselho Deliberativo aprovou balanço do Cruzeiro de 2020 - Foto: Divulgação/Cruzeiro
O Cruzeiro informou que teve as contas de 2020 aprovadas pelo Conselho Deliberativo em reunião por videoconferência nesta quinta-feira. De acordo com o clube, apenas um dos 80 conselheiros participantes da sessão virtual se manifestou de forma contrária ao balanço, porém fora do prazo estipulado no edital de convocação. A Raposa contabilizou déficit de R$226,5 milhões e fechou a dívida total em R$897 milhões.
A reunião foi conduzida pelo presidente do Conselho, Nagib Geraldo Simões, que esteve ao lado de seu vice, Maurício Marques da Silva, e do primeiro e segundo secretários, Marcus Edmundo Lambertucci e Evandro de Carvalho. O presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, participou de maneira remota, enquanto o vice, Lidson Potsch Magalhães, compareceu ao evento.
Na última sexta-feira (23), o Superesportes publicou alguns números das contas do Cruzeiro. A gestão de Sérgio Rodrigues tratou como “superávit de R$33 milhões” a redução do déficit de R$259,2 milhões, em maio, para R$226,5 milhões, em dezembro. Esse saldo corresponde ao período de atuação do mandatário, que tomou posse na presidência em 1º de junho de 2020.
O principal ponto para a redução do prejuízo foi o acordo de parcelamento de tributos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A dívida ativa de R$334,1 milhões caiu para R$182,3 milhões - o que representa uma economia de quase R$152 milhões. Além disso, o pagamento será feito em 145 meses contados a partir de outubro de 2020.
O Cruzeiro ainda renegociou prazos de empréstimos bancários e ganhou fôlego para liquidá-los no curto prazo, despencando de R$65,6 milhões, em 2019, para R$14,4 milhões, em 2020. Por outro lado, a direção terá de administrar um crescimento em obrigações trabalhistas e sociais do passivo circulante - de R$81,7 milhões para R$90,8 milhões. O campo "contas a pagar" também apresenta cifras vultosas: R$136,3 milhões.
Nas despesas, o custo com futebol caiu de R$438 milhões, em 2019, para R$250 milhões, em 2020 (43%) -, porém ficou acima de 2017, quando a Raposa se sagrou pentacampeã da Copa do Brasil - R$245 milhões. Chamou a atenção o aumento de R$36,4 milhões em "acordos e indenizações" (de R$16,8 milhões para R$53,2 milhões), em função da necessidade das rescisões de jogadores após o rebaixamento da equipe no fim de 2019.
“O clube vem buscando reduzir despesas do departamento de futebol. Sabemos que para criar um time competitivo para ter possibilidade de buscar posições expressivas nas tabelas das competições é necessário investir, porém investir com consciência é um dos pilares do clube”, diz uma nota explicativa do balanço.
Últimos 5 anos:
2016 - R$ 193 milhões
2017 - R$ 245 milhões
2018 - R$ 306 milhões
2019 - R$ 438 milhões
2020 - R$ 250 milhões
No quesito dívida, o clube salientou a redução das obrigações em curto prazo, caindo 77% do valor total, em 2019, para 36,5%, em 2020. Da pendência de R$897 milhões, R$312 milhões fazem parte do "passivo circulante", com até 12 meses para quitação, e R$585 milhões compõem o "passivo não circulante", com vencimento superior a um ano.
Passivo circulante do Cruzeiro
Total
R$609 milhões em 2019
R$312 milhões em 2020
Fornecedores
R$15,5 milhões em 2019
R$11,3 milhões em 2020
Empréstimos e financiamentos
R$65,6 milhões em 2019
R$14,4 milhões em 2020
Obrigações trabalhistas e sociais
R$81,7 milhões em 2019
R$90,8 milhões em 2020
Obrigações fiscais correntes
R$49,8 milhões em 2019
R$16,3 milhões em 2020
Obrigações fiscais e sociais parceladas
R$246,8 milhões em 2019
R$39,3 milhões em 2020
Contas a pagar
R$148,1 milhões em 2019
R$136,3 milhões em 2020
Outras contas a pagar
R$ 1,5 milhão em 2019
R$3,1 milhões em 2020
Passivo não circulante do Cruzeiro
Total
R$195 milhões em 2019
R$585 milhões em 2020
Empréstimos e financiamentos
R$76,6 milhões em 2019
R$113,8 milhões em 2020
Obrigações trabalhistas e sociais
R$953 mil em 2019
R$72,6 milhões em 2020
Obrigações trabalhistas e sociais parceladas
R$24,4 milhões em 2019
R$178,2 milhões em 2020
Contas a pagar
R$46,8 milhões em 2019
R$62,4 milhões em 2020
Provisão para contingência
R$45,7 milhões em 2019
R$158,2 milhões em 2020
Em relação às receitas, o Cruzeiro faturou R$118,8 milhões líquidos em 2020, 57,7% a menos que os R$280,8 milhões em 2019. A baixa expressiva se deve à queda à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, que impactou drasticamente em cotas de televisão - de R$102,5 milhões para R$40,3 milhões - e vendas de direitos econômicos - de R$108 milhões para R$23,45 milhões.
Vendas contabilizadas pelo Cruzeiro no balanço de 2020
Caio Rosa ao Al Sharjah - R$2,57 milhões - Cruzeiro/Divulgação
David - R$1 milhão (Cruzeiro entrou em acordo com o jogador após ação na Justiça) - Cruzeiro/Divulgação
Ederson - R$ 1,7 milhão (Cruzeiro entrou em acordo com o jogador após ação na Justiça) - Cruzeiro/Divulgação
Fabrício Bruno ao Red Bull Bragantino - R$ 500 mil - Cruzeiro/Divulgação
Edu ao Athletico-PR - R$ 2,5 milhões - Cruzeiro/Divulgação
Marquinhos Gabriel - R$ 302 mil (Cruzeiro entrou em acordo com o jogador para rescisão de contrato) - Cruzeiro/Divulgação
Maurício ao Internacional - R$1,2 milhão - Cruzeiro/Divulgação
Renato Kayzer ao Athletico-PR - R$ 3,4 milhões - Cruzeiro/Divulgação
Thonny Anderson - R$ 2,8 milhões (Não é possível saber com que clube o Cruzeiro negociou parte dos direitos econômicos) - Cruzeiro/Divulgação
Weverton ao Red Bull Bragantino - R$ 3,8 milhões - Cruzeiro/Divulgação
A pandemia de COVID-19 minou o ganho com bilheteria, uma vez que os estádios não recebem público há mais de um ano devido ao risco sanitário provocado por aglomerações. Assim, o Cruzeiro embolsou pouco mais de R$1 milhão em venda de ingressos, ante R$18,5 milhões em 2019.
Em compensação, o sócio-torcedor se manteve fiel ao programa, proporcionando arrecadação de R$11,8 milhões, relativamente próxima aos R$14,12 milhões do ano passado. Em patrocínios/royalties, o Cruzeiro obteve R$33,7 milhões em 2020, valor superior aos R$27,34 milhões de 2019.
“As receitas do clube tiveram uma redução no montante de R$166 milhões em relação ao ano anterior de 2019. Essas quedas ocorreram nas rubricas de venda dos direitos televisivos e venda de direitos econômicos, em função do descenso à Série B, além da queda expressiva das bilheteiras de jogos e clubes sociais em função da pandemia. O clube vem buscando outras formas de receitas usando estratégias de marketing em ações de monetização e engajamento, além da busca de novos clientes”.