Em trecho da resposta (íntegra no fim da matéria), Wagner mencionou o valor de R$ 75.094,00 entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o que corresponde a um gasto médio de R$ 3.125,00 mensais. Na opinião dele, as cifras estão dentro da normalidade.
“Não vejo aí nenhum absurdo financeiro, mas sim, a eminente intenção de determinadas pessoas, que mais uma vez, fazendo uso de métodos baixos e rasteiros buscam denegrir a minha imagem pessoal com nítido intuito político e a clarividente intenção de cobrir com uma cortina de fumaça os reais problemas pelos quais vem perpassando o Cruzeiro por total incompetência em solucioná-los”.
Wagner disse que demorou para responder aos questionamentos da reportagem, feitos ainda na quarta-feira, por estar em um sítio, “fugindo do coronavírus”. Depois que o ex-presidente enviou a nota, o Superesportes fez as seguintes perguntas:
- Em uma viagem à Bahia, em janeiro de 2019, o senhor gastou cerca de R$ 14 mil com o cartão corporativo do Cruzeiro. Estão na fatura pagamentos de hotel cinco estrelas, restaurantes e até um hospital em Porto Seguro. Por que utilizou o cartão do clube para quitar compras e contratações de serviços que nada tinham ligação com o clube?
- Em maio de 2018, em viagem a Portugal, o senhor gastou cerca de R$ 16 mil com o cartão corporativo do Cruzeiro. Desse montante, quase 2 mil foram gastos em uma loja de departamento. Como o senhor explica?
- Nesta viagem a Portugal, o senhor gastou R$3 mil em um local de dança e bebida. Se recorda que local foi esse? O que tem a ver com o Cruzeiro?
- Ao longo do período entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o senhor gastou R$ 183 mil com o cartão corporativo do Cruzeiro. Como explica esse número?
- Ao longo do período entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o senhor utilizou cerca de R$5 mil com pedidos de chopp express no cartão corporativo do Cruzeiro. Como explica isso?
- Ao longo do período entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o senhor utilizou o cartão corporativo do Cruzeiro para pagamentos em clínica de estética, exames laboratoriais e lojas de roupa. O cartão não deveria ser utilizado para pagar compras relacionadas ao clube?
- Ao longo do período entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o senhor utilizou o cartão corporativo do Cruzeiro em freeshops pelo mundo, especialmente em datas próximas a jogos do clube pela Libertadores. Como explica isso?
Pires de Sá entendeu que a nota em si esclarece o assunto. “Na minha resposta contempla suas dúvidas. Os gastos no exterior correspondem exatamente a despesas obrigatórias com recepções, encontros profissionais, eventuais presentes a dirigentes e esposas. Da mesma forma há uma reciprocidade por parte destes mesmos dirigentes. São rituais do inerentes ao futebol mundial”.
Wagner voltou a ser indagado sobre os gastos com viagem à Bahia, em janeiro de 2019, mas parou de responder as mensagens.
Leia a resposta de Wagner Pires de Sá
O Cartão de Crédito Corporativo foi e é utilizado universalmente pelas empresas brasileiras e internacionais para cobrir eventuais despesas de seus dirigentes enquanto personalidades públicas; obrigados a frequentar e participar de encontros com empresários, autoridades públicas, chefes e diretores de entidades similares e congêneres; obrigados a comparecer em eventos festivos ou não; às vezes obrigados a presentear seus anfitriões promover encontros que indubitavelmente geram despesas.
Numa entidade como o Cruzeiro Esporte Clube, que não remunera seus dirigentes eleitos, criou-se, anteriormente por outras gestões passadas, com muita propriedade, a figura do Cartão de Crédito Corporativo, para exatamente cobrir tais despesas.
Ora, nas reportagens atuais publicadas pela imprensa, consta que em dois anos, janeiro de 2018 a dezembro de 2019, foram gastos através do cartão da presidência a importância de R$75.094,00, o que corresponde a um gasto médio de R$3.125,00 mensais.
Não vejo aí nenhum absurdo financeiro, mas sim, a eminente intenção de determinadas pessoas, que mais uma vez, fazendo uso de métodos baixos e rasteiros buscam denegrir a minha imagem pessoal com nítido intuito político e a clarividente intenção de cobrir com uma cortina de fumaça os reais problemas pelos quais vem perpassando o Cruzeiro por total incompetência em solucioná-los.
Estas atitudes não atingem somente a minha pessoa, mas a instituição maior que é o Cruzeiro Esporte Clube. Foi devido a estes ataques rasteiros, expondo documentos de interesse apenas internos da instituição, com viés de vingança e inveja cuja contenta, caso houvesse, certamente poderia ser facilmente resolvida em casa, que levou o clube a situação extrema de rebaixamento para a Série B.
O problema maior do Cruzeiro são suas dívidas acumuladas através de diversos anos passados sobrevivendo neste sistema inviável do futebol brasileiro. Portanto, mais uma vez, não me usem como “bode expiatório”.
Investigações
Não há, no Estatuto ou no código de conduta do Cruzeiro - os dois únicos documentos disponíveis no site oficial -, quaisquer artigos ou parágrafos que tratem exclusivamente da ‘regulação’ do cartão de crédito corporativo. Em geral, ele deveria ser utilizado especialmente por supervisores de futebol e responsáveis pelo departamento financeiro para pagamentos relativos ao dia a dia do clube.
As faturas dos cartões de crédito de Wagner Pires de Sá já estão com a Kroll, empresa de investigação corporativa contratada pelo Cruzeiro para auditar cada passo da antiga administração do clube.
Internamente, o Cruzeiro acredita que poderá cobrar dos ex-dirigentes reembolsos pelos valores que foram gastos por meio dos cartões corporativos. Esse, no entanto, é um processo burocrático e sem prazo para desfecho.