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Por dívida, Minas Arena rompe contrato de fidelidade com o Cruzeiro; clube diz que vínculo segue em vigência Em audiência pública, estado descarta romper contrato de concessão do Mineirão com Minas Arena Torcida exibe faixa pedindo para governo de Minas Gerais repassar administração do Mineirão ao Cruzeiro
Ao discordar do posicionamento da Minas Arena, o Cruzeiro alegou que só voltou a pagar as despesas operacionais porque vislumbrava melhor relacionamento com a operadora do Mineirão, além de observar que a receita da administradora é impulsionada pelo calendário de jogos do clube durante o ano.
“(...) A concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano”, diz trecho da nota.
Na parte final do texto (leia a íntegra no fim da matéria), o Cruzeiro cita que a Minas Arena é alvo de “investigações e denúncias em órgãos especializados”. Foram compartilhados no site oficial do clube duas matérias do portal UOL e uma do Estado de Minas sobre supostos desvios de verbas durante as obras de remodelação do estádio, entre junho de 2010 e dezembro de 2012.
Cruzeiro x Minas Arena
Cruzeiro x Minas Arena
Depois de o Cruzeiro revelar que enviou um ofício ao Governo de Minas Gerais manifestando desejo de administrar o Mineirão, o diretor comercial da Minas Arena, Samuel Lloyd, lembrou que a Minas Arena assumiu empréstimo de R$ 666 milhões para realizar a reforma do estádio, entre 2010 e 2012, e não abrirá mão do retorno financeiro.
“Eu acredito que tudo é possível, basta querer. Não é assim na vida? Acho que tem que pegar ônus e bônus. Não pode só pegar o estádio pronto, sem arcar com todo investimento que foi feito lá atrás. A Minas Arena colocou R$666 milhões na construção do estádio e espera que esse dinheiro retorne. Se o Cruzeiro quiser, estamos à disposição para negociar”, disse o diretor, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira.
À Rádio 98FM, também nesta terça-feira, o vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, afirmou que se reuniu com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) para tratar da possibilidade de o clube gerir o Mineirão.
“Estivemos com o governador, há 15, 20 dias, entregamos ofício, explicando toda a situação, explicando que o Cruzeiro quer administrar o Mineirão. Pra ele levantar os erros que tem lá, acabar com o contrato dessas empresas, inclusive uma delas é da Lava-Jato, não sei falar qual”, afirmou o dirigente.
Na entrevista que concedeu ao Superesportes em 11 de novembro de 2018, Itair já havia manifestado o interesse do Cruzeiro de gerenciar o estádio. Na ocasião, ele revelou, pela primeira vez, um encontro com o então governador Fernando Pimentel (PT) para fazer a mesma solicitação de gerir o Mineirão. “Nada mais justo que, em vez de construir um estádio, o Cruzeiro administrar e fazer um comodato com o Mineirão. É disso que estamos atrás”, afirmou o dirigente na oportunidade.
O contrato do projeto de Parceria Público Privada do Mineirão foi assinado em 21 de dezembro de 2010, celebrado entre o Núcleo Gestor das Copas, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) e a Minas Arena. O valor do contrato é de R$ 677.353.021,85, sendo que a concessionária financiou R$666 milhões. O prazo de vigência da concessionária é de 27 anos, finalizando no ano de 2037, com a previsão de prorrogação contratual até 2045.
Leia a íntegra da nota publicada pelo Cruzeiro na noite desta terça-feira
O Cruzeiro Esporte Clube vem a público se manifestar a respeito de declarações dadas nesta terça-feira, 9 de abril, em diversos veículos de comunicação pelo Sr. Samuel Lloyd, diretor da Minas Arena, envolvendo o contrato em vigência entre o Clube e a concessionária que está responsável pela gestão do estádio Mineirão.
Em suas declarações, Samuel alega que o Cruzeiro não teria repassado à concessionária um montante que ultrapassa os R$ 26 milhões, valor contestado pelo Clube, relacionado ao custo operacional de seus jogos no estádio.
Devido ao contrato de fidelidade firmado pelas partes no ano de 2012, o Clube possui a prerrogativa de analisar as condições que a Minas Arena oferece para que outros clubes atuem no estádio e, caso queira, adotar este modelo desde então.
Desta forma, desde o mês de julho de 2013, após o Atlético-MG atuar no Mineirão sem a necessidade de pagar pelos custos operacionais em uma partida, o Cruzeiro – se baseando no contrato – entendeu que tinha o direito do mesmo tratamento e a questão entrou na esfera judicial, na qual permanece.
Diferentemente dos valores declarados por Samuel Lloyd, o Cruzeiro acredita que o atual montante esteja na casa de R$ 18 milhões, motivo de nova contestação judicial, uma vez que a Minas Arena alega que o valor chega a R$ 26 milhões. O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões.
Cabe ressaltar que o montante relacionado à atual gestão administrativa do Cruzeiro Esporte Clube, do triênio 2018-2020, presidida por Wagner Pires de Sá, está na casa de R$ 1,8 milhão.
O Cruzeiro reitera que, mesmo tendo voltado a pagar por tais despesas, isso não significa que o Clube concorde com o que é cobrado pela Minas Arena, mas, sim, uma sinalização pela busca de uma melhora na relação cotidiana com a concessionária.
O Clube ressalta que, apesar de algumas declarações de Samuel Lloyd darem a entender que a Minas Arena poderia ter prejuízo devido à parceria, a concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano.
Por mais que o discurso por parte da concessionária e de seu principal representante seja o de cumprimento de contrato, é de conhecimento público que a Minas Arena vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena, requerida pelo deputado estadual Léo Portela, que será submetida à apreciação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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