
”Estão deitando e rolando em cima da gente! Essa federação, polícia militar e atleticanos... mas essa graça vai acabar! Tô voltando! [sic]”. Essa postagem feita no Twitter pelo ex-presidente do Cruzeiro e hoje senador Zezé Perrella causou mal-estar na Polícia Militar de Minas Gerais. Nesta quarta-feira, a corporação também usou a rede social para rebater a insinuação do político de que houve favorecimento ao Atlético ao tomar a decisão de vetar duas torcidas rivais no Independência, local do segundo clássico da final do Campeonato Mineiro.
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“Exigimos respeito à PMMG que se posiciona de forma técnica e exclusivamente em relação à segurança dos torcedores e da comunidade”, respondeu a corporação.
Em contato com o Superesportes, o major Santiago, chefe da sala de imprensa da PM, explicou. “A Polícia não comenta o tweet do Perrella, só não admite que questões técnicas sejam tratadas de uma forma apaixonada. A PM é séria. Trabalha em prol da sociedade. Não podemos e não queremos que Minas seja palco de eventos danosos. Muitas das vezes, quando há um veto, um direcionamento, não é baseado no empirismo. É baseado em análises de variáveis. Não é simplesmente por conta de A e B. Não queremos uma boate Kiss em Minas Gerais”, justificou, referindo-se ao trágico incêndio na Boate Kiss, de Santa Maria-RS, que matou 242 pessoas e feriu outras 680.
A posição da PM, oficializada na reunião de terça-feira, que definiu os detalhes do primeiro clássico, marcado para o Mineirão e com mando do Cruzeiro, também desagradou a atual direção celeste. Nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, o vice-presidente de futebol Bruno Vicintin afirmou que buscará outras instâncias para garantir a participação de torcedores cruzeirenses no Independência.
Já nesta quinta-feira, a diretoria do Cruzeiro tem reunião marcada no Ministério Público Estadual para questionar a proibição imposta pela PM. O clube destacará que outros clássicos nas mesmas condições já foram realizados no Independência com as duas torcidas. Além disso, será o usado o argumento de que o estádio passou por obras de reconstrução anos atrás, ao custo de R$ 140 milhões, arcados pelo governo de Minas, justamente para atender as demandas dos principais clubes do estado.
Segundo o major Santiago, a posição da PM não mudará. “Toda situação de dialogo é importante. Todas as pessoas que se envolvem. Procurar o Ministério Público é muito importante. Assim como outras estruturas governamentais. É importante”, disse. “Se qualquer outro órgão que tenha poder legal determinar alguma mudança, ele assume esse risco. O laudo da PM é o mesmo. O posicionamento persiste”, complementou.