
A terça-feira marcou o fim de um ciclo no Cruzeiro. O clube celeste anunciou a demissão do técnico Marcelo Oliveira, bicampeão brasileiro e com um título estadual pela Raposa. O adeus foi confirmado depois de reunião com o presidente Gilvan de Pinho Tavares. O mandatário entendeu que era hora de mudar o comando técnico do time, que amarga a penúltima posição do Brasileiro sem nenhuma vitória em quatro jogos. Marcelo passou dois anos e cinco meses no cargo e chegou a se emocionar durante a entrevista de despedida. O Cruzeiro anunciou Vanderlei Luxemburgo como substituto.
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“Diferentemente de outras oportunidades que aqui estivemos em dois anos e cinco meses, hoje vim para me despedir e para agradecer a todos vocês pela convivência saudável e profissional. Sempre procurei ajudá-los no trabalho e responder a todas as questões sobre o trabalho. Essa recíproca foi verdadeira e respeitosa. Queria agradecer ao Cruzeiro pela oportunidade de trabalho. Trabalho de dois anos e cinco meses não é pouca coisa. Foi oportunidade de aumentar essa média com tempo maior. Esperava cumprir meu contrato. Tive pelo menos três oportunidades, melhores financeiramente, mas não deixei o clube. Compreendo como decisão profissional da diretoria. É assim que funciona. Os resultados não vêm. Tenho consciência de que tentei sempre fazer o melhor, me dediquei muito. Não tenho como caráter e principio sair atirando dos clubes, por mais que tenha opinião formada sobre algumas situações. Desmanchamos o time e ninguém tem culpa sobre isso”, disse Marcelo, antes de avaliar o que foi produzido nesses dois anos no clube, e não conter as lágrimas ao falar da homenagem prestada pelo torcida à sua mãe, falecida na semana passada.
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Luxemburgo é confirmado pelo Cruzeiro e será apresentado nesta quarta na Toca da Raposa Marcelo revela falta de interação com diretoria para contratações desde a saída de Mattos Luxemburgo após 2003: um título de expressão, seis estaduais e missões de G-4 ou degola Ironicamente, Marcelo Oliveira é demitido em dia que entra para lista dos mais 'longevos'
O desmanche do elenco que levantou o caneco nacional por duas vezes seguidas e a falta de reposição pesaram na queda do trabalho de Marcelo. O início do Cruzeiro no Brasileiro de 2015 é o pior do clube na era dos pontos corridos. Mas o peso das eliminações em jogos de mata-mata, como na Copa do Brasil (2013 - Flamengo) e nas duas últimas Libertadores (San Lorenzo e River Plate) fizeram com que uma ala da torcida criticasse o técnico nesse tipo de competição. O aproveitamento ruim em clássicos contra o Atlético também foi motivo de incômodo para a gestão de Marcelo Oliveira na Toca da Raposa.
Pressionado por resultados ruins na Copa Libertadores'2015 (eliminação para o River Plate) e no Campeonato Brasileiro'2015, Marcelo Oliveira se despede com o posto de quarto técnico mais longevo da história do clube celeste. Ele se igualou a Adilson Batista, um dos nomes defendidos para suceder o treinador. Outro ala da diretoria defende Vanderlei Luxemburgo. Em 168 jogos sob o comando de Marcelo, o Cruzeiro acumula 105 vitórias, 32 empates e 31 derrotas. O aproveitamento é de 68,85% dos pontos.
O gerente de futebol Valdir Barbosa explicou a decisão tomada por Gilvan, e disse que a demissão não ocorreu depois da partida contra o River Plate porque o Cruzeiro acreditou que Marcelo merecia mais oportunidades para mostrar força de reação com o grupo.
“É somatória de coisas. Vai se somando, uma série de fatores para chegar a uma decisão como essa. Se entendêssemos que a derrota para o River seria a gota d’água, teríamos feito logo após o jogo. Mas entendemos que deveríamos tentar mais com o Marcelo”, justificou.