O Atlético anunciou, na tarde desta segunda-feira (23), que é contrário a decisão da prefeitura de Belo Horizonte de proibir novamente os jogos com público nos estádios da capital mineira. A diretoria do Galo entende que o veto não se justifica, já que o clube cumpriu todas as medidas de prevenção à COVID-19 na partida contra o River Plate, no Mineirão, pelas quartas de final da Copa Libertadores.
Em nota, o Atlético manifestou toda sua insatisfação à decisão tomada pelo prefeito Alexandre Kalil, nesse domingo (22). Além disso, reiterou o apoio a jogos com a presença do público no Gigante da Pampulha.
"O Atlético discorda veementemente da decisão da PBH, reafirma seu compromisso com os protocolos estabelecidos e pede bom senso e diálogo para as autoridades", publicou o clube nas redes sociais.
Nesse domingo, o presidente do Atlético, Sérgio Coelho, recebeu com surpresa a decisão da PBH de proibir a presença de torcedores em jogos de futebol. A medida foi tomada por Kalil em razão das falhas nos protocolos sanitários de prevenção à COVID-19 em dois eventos-teste: Galo x River e Cruzeiro x Confiança.
Na quarta-feira, 17.030 espectadores pagaram ingresso (renda superior a R$2,68 milhões) para assistir à vitória do Atlético sobre o River Plate por 3 a 0, no Mineirão, pela volta das quartas de final da Libertadores. O número total de pessoas nos arredores do estádio foi bem maior, já que muita gente sem ingresso compareceu ao local para curtir a festa.
Atlético x River Plate: fotos da torcida do Galo na volta ao Mineirão
Outras falhas foram detectadas na venda de bebidas alcoólicas nas ruas, no atraso na abertura da esplanada, na aglomeração no acesso ao estádio, na fiscalização ruim, no desrespeito à obrigatoriedade do uso de máscara dentro do Mineirão e na grande quantidade de torcedores reunidos na saída após o encerramento da partida.
Com o recuo da prefeitura de Belo Horizonte quanto à presença de público, o Atlético estuda a possibilidade de mandar os jogos das semifinais da Copa Libertadores no estádio Nacional, em Brasília, ou no Parque do Sabiá, em Uberlândia. O Galo enfrentará o Palmeiras nos dias 21 (fora) e 28 de setembro (casa), duas terças-feiras, às 21h30.
Veja, na íntegra, o comunicado:
"Sobre a decisão da PBH, que voltou a proibir a presença de público nos estádios da capital, o Atlético tem as seguintes considerações:
1. O Clube discorda veementemente da decisão e afirma que cumpriu TODAS as exigências do Protocolo de Funcionamento para Jogos de Futebol Profissional, emitido pela própria PBH, na Portaria SMSA/SUS-BH Nº 0332/2021;
2. Os estádios de futebol, com apenas 30% de sua capacidade e público testado, não representam risco maior do que feiras, shoppings, transporte público e outros. O Galo entende ser adequada a reabertura desses estabelecimentos, bem como de bares, restaurantes, teatros, escolas, cinemas e eventos, que já estão autorizados na capital mineira. O que não se entende é o porquê de se tratar diferentemente os jogos de futebol. Quantas famílias, afinal, dependem do movimento do futebol?;
3. O avanço da vacinação em BH não está muito dissonante daquele registrado em cidades da Europa e dos EUA, onde torcedores já frequentam estádios com carga muito superior a 30%. O que toda a população brasileira espera, depois de quase um ano e meio de confinamento e restrições, é que o avanço da vacinação permita a volta gradual das atividades em diferentes áreas, como já vem acontecendo em várias cidades, inclusive nesta capital. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 75,69% da população de Belo Horizonte já tomou a primeira dose da vacina e cerca de 40% já está totalmente imunizada (Nos EUA, por exemplo, essa média é de 52%);
4. Sobre as declarações do prefeito, colocando em dúvida a quantidade de pessoas no estádio, o Atlético afirma que o público total foi de 17.030 pessoas, abaixo, portanto, dos 30% permitidos. Além dos torcedores, estavam presentes cerca de mil pessoas que trabalharam no jogo, entre as equipes do Galo e do Mineirão. Os números estão abertos a eventuais auditorias, para que não reste dúvida quanto à lisura nos procedimentos de Clube e Mineirão;
5. Outrossim, sobre eventuais suspeitas de que o Clube teria repassado gratuitamente ingressos para torcidas organizadas, o Atlético informa que a atual gestão não adota a prática de doar ingressos ou materiais esportivos para quem quer que seja. Todos os ingressos foram, portanto, vendidos;
6. Ressalte-se que o Galo fez intensa campanha informativa para alertar a torcida sobre o protocolo sanitário, principalmente no que tange ao uso de máscaras, ao distanciamento social e à obrigatoriedade de testagem. A propósito, o jogo Atletico x River Plate gerou a maior testagem em massa da história de BH, sem qualquer custo ao poder público;
7. Mesmo sofrendo perdas financeiras que beiram 50 milhões de reais, apenas em bilheteria, o Atlético foi um aliado do poder público no combate à pandemia, cumprindo todas as normas estabelecidas. E continuará a sê-lo, para isso, pede bom senso e equilíbrio. O Clube está aberto ao diálogo para, conjuntamente com as autoridades e partes envolvidas, buscar soluções e melhorias que possam tornar ainda mais segura a presença do torcedor no estádio;
8. Por fim, o Galo afirma que a presença da torcida no jogo conta o River Plate fez toda a diferença para o time e continuará a fazê-lo nos próximos confrontos.
Queremos ser campeões!
Precisamos do torcedor!
O Atlético lutará com toda sua raça para vencer mais esse obstáculo".