Jorge Sampaoli foi um dos personagens do 2020 do Atlético
O ano do Atlético teve troca de treinador, mudança radical no planejamento, retorno de ídolo, contratações importantes, dispensas, caso de assédio, revolta da torcida, títulos mineiros, eliminações traumáticas, eleição e bastidores políticos muito aquecidos. Tudo isso num 2020 atípico, marcado negativamente pela pandemia de COVID-19 - que afetou diretamente o clube.
Em janeiro, o presidente Sérgio Sette Câmara e o então diretor de futebol Rui Costa apostaram alto no técnico Rafael Dudamel, incumbido de levar adiante um projeto que priorizaria jovens jogadores e as categorias de base. Porém, os rumos mudaram rapidamente: 52 dias depois de assumir o cargo, o venezuelano foi demitido após eliminações vexatórias na Copa do Brasil e na Sul-Americana.
Com ele, também saíram o então gerente de futebol Marques e o próprio Rui Costa. Foi aí que começou uma mudança radical no planejamento alvinegro. Sette Câmara, que à época ainda vislumbrava a reeleição no pleito agendado para dezembro, recorreu a empresários influentes na política alvinegra e conseguiu recursos para contratar profissionais de peso: o técnico Jorge Sampaoli e o diretor de futebol Alexandre Mattos, ainda em março.
De lá para cá, os dois foram peças importantes para reformular o elenco (com 19 saídas e 12 chegadas) e recolocar o Atlético entre os protagonistas do Campeonato Brasileiro. O ano termina com a eleição de um novo presidente - Sérgio Coelho -, uma conquista heroica da equipe feminina e um sentimento misto de expectativa e incertezas para 2021.
Na galeria a seguir, o Superesportes relembra o 2020 do Atlético em 20 episódios marcantes:
1 - Contratação de Dudamel (janeiro): Em 4 de janeiro, após longo período de negociações e mistério sobre o sucessor de Vagner Mancini, o Atlético anunciou a contratação do técnico Rafael Dudamel. O treinador deixava a Seleção Venezuelana com os desafios de trabalhar com um elenco jovem e revelar promessas, segundo planejamento traçado pelo presidente Sérgio Sette Câmara e o então diretor de futebol Rui Costa. O novo comandante foi recebido com festa da torcida no Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. - foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press2 - Volta do ídolo (fevereiro): No início do ano, o Atlético oficializou o retorno de um ídolo: Diego Tardelli. Protagonista dos títulos da Copa Libertadores de 2013 e da Copa do Brasil de 2014, o atacante, agora com 35 anos, assinou contrato até o fim de 2020 - meses depois, o vínculo seria estendido até o fim do Campeonato Brasileiro, postergado para fevereiro de 2021 por conta da pandemia de COVID-19. A terceira passagem do jogador pela Cidade do Galo, porém, é marcada por uma grave lesão no tornozelo direito, que o afastou de quase toda a temporada. - foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press3 - Assédio do Galo Doido (fevereiro): Em fevereiro, o Atlético virou notícia por um comportamento machista do funcionário que vestia a fantasia do Galo Doido, mascote do clube. O homem assediou a zagueira Vitória Calhau durante a apresentação do time feminino à torcida no Mineirão. Ele fez a jogadora dar uma "voltinha" para exibir o corpo. Na sequência, esfregou as mãos e as passou na boca. O gesto causou revolta entre torcedores e repercutiu negativamente para a instituição, que, dias depois, organizou um momento para que o funcionário se desculpasse com o elenco. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press4 - Eliminações precoces (fevereiro): Em campo, a temporada do Atlético começou com eliminações precoces em torneios mata-mata, ainda em fevereiro. Num intervalo de uma semana, foram duas quedas traumáticas: para o Unión-ARG, na primeira fase da Copa Sul-Americana, e diante do Afogados da Ingazeira-PE, na segunda fase da Copa do Brasil. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press5 - Demissões e mudança de projeto (fevereiro): Horas depois da vexatória eliminação para o Afogados da Ingazeira-PE, o presidente Sérgio Sette Câmara resolveu fazer mudanças bruscas no projeto do Atlético para 2020 e demitiu os principais pilares do departamento de futebol: o diretor Rui Costa, o gerente Marques e o treinador Dudamel - este último ficou no cargo por apenas 52 dias, apesar de ter assinado contrato até o fim de 2021. - foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A Press6 - Aproximação de empresários (fevereiro): Diante do cenário adverso dentro e fora de campo (com latentes problemas financeiros), Sette Câmara recorreu a empresários: Renato Salvador (Materdei), Ricardo Guimarães (Banco Bmg), Rubens Menin e Rafael Menin (ambos da MRV). O grupo já tinha relevância política no clube, mas passou a exercer também uma função administrativa a partir do convite do presidente. A partir daí, o Atlético multiplicou os investimentos - quase sempre com aportes econômicos dos "quatro R's" - e montou um forte elenco. - foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press7 - Contratação de Sampaoli (março): Antes de buscar novos jogadores, porém, o Atlético precisava de um treinador. E a aposta da diretoria - com aval dos empresários, especialmente Renato Salvador - foi contratar Jorge Sampaoli, profissional de renome mundial. Para isso, o clube topou um contrato até o fim de 2021 e aceitou aumentar significativamente os investimentos para reforçar o elenco com jogadores desejados pelo técnico argentino. - foto: Reprodução/Twitter Sérgio Sette Câmara8 - Contratação de Mattos (março): As aspirações de Sampaoli no mercado de jogadores eram grandes. Por isso, o presidente Sérgio Sette Câmara resolveu contratar um diretor de futebol que fosse reconhecido pela capacidade de agir agressivamente na busca por reforços. Assim, chegou-se ao nome de Alexandre Mattos, ex-Palmeiras, Cruzeiro e América. Era a hora de investir alto e tentar recuperar uma temporada que parecia perdida. - foto: Reprodução/Twitter Sérgio Sette Câmara9 - Pandemia de COVID-19 (março até hoje): Sampaoli mal havia estreado no comando do Atlético - a vitória por 3 a 1 sobre o Villa Nova, pelo Campeonato Mineiro - quando o Brasil se viu obrigado a parar em função da crescente no número de casos de COVID-19. Os efeitos devastadores da pandemia refletiram no futebol de diversas formas: contaminações, mortes, queda de receitas, corte de salários, demissões, paralisação de campeonatos e treinos, proibição de torcida nos estádios... - foto: Pedro Souza/Atlético10 - Reformulação do elenco (março a novembro): Mesmo em meio à queda de receitas decorrente da pandemia, o Atlético aumentou o investimento no futebol, com a ajuda de parceiros. Alexandre Mattos e Jorge Sampaoli lideraram uma reformulação significativa no elenco, que envolveu a saída de 19 jogadores e a chegada de 12 entre março e novembro. Deixaram o clube nomes contestados, como Ricardo Oliveira, Patric, Franco Di Santo, Fábio Santos e Cazares, por exemplo; por outro lado, o grupo foi reforçado com peças importantes, como Everson, Junior Alonso, Matías Zaracho, Keno e Eduardo Vargas. - foto: Bruno Cantini/Atlético11 - Início da construção da Arena MRV (abril): Em 20 de abril, o Atlético começou, enfim, a construir a tão sonhada Arena MRV. Atualmente, a fase de terraplenagem está na reta final. O cronograma aponta o início das montagens dos pré-moldados de concreto e das estruturas metálicas, além da continuidade dos trabalhos de fundação profunda e instalação de 400 blocos da fundação rasa. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press12 - Bastidores políticos agitados (abril a dezembro): Enquanto a bola não voltava a rolar, o noticiário atleticano esquentou em função de uma 'guerra' nos bastidores. O presidente Sérgio Sette Câmara rompeu com o ex-mandatário alvinegro e atual prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), que o havia apoiado nas eleições de 2017. A rusga envolveu empresários influentes no clube, demissões de funcionários e críticas à gestão da PBH por conta da demora para aprovar as obras da Arena MRV. Era uma prévia do que viria politicamente em 2020, ano em que o Conselho Deliberativo se reuniria para eleger um novo presidente. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press13 - 'Manto da Massa' (junho): Em um ano de crise econômica mundial, o Atlético buscou formas de amenizar a queda de receitas provocada pela pandemia. O caso de maior sucesso foi o 'Manto da Massa'. Na ação, torcedores idealizaram e elegeram um modelo de uniforme, que foi adotado pelo clube, produzido pela fornecedora Le Coq Sportif e se tornou grande sucesso de vendas. Foram comercializadas mais de 100 mil peças. O ponto negativo ficou por conta da demora na entrega do produto. - foto: Divulgação/Atlético14 - Título mineiro no masculino (agosto): Tempos depois do retorno das competições, o Atlético conquistou o único título do ano. Em agosto, a equipe comandada por Jorge Sampaoli garantiu ao clube o 45ª troféu do Campeonato Mineiro ao bater o Tombense na final. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press15 - Protagonismo no Brasileirão (setembro até hoje): Após a conquista estadual, o Atlético se consolidou como um dos candidatos ao título do Campeonato Brasileiro e ficou algumas rodadas na liderança a partir de setembro. O time já mostrava a 'cara' desejada por Jorge Sampaoli e, depois de três anos sem grandes aspirações, voltou a ser protagonista no Campeonato Brasileiro. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press16 - Casos Thiago Neves e Villa (setembro): A diretoria seguia ativa no mercado em busca de mais reforços. Em setembro, os dirigentes estiveram perto de anunciar as contratações do meia Thiago Neves (com passagem pelo arquirrival Cruzeiro) e o atacante Sebastián Villa (atleta do Boca Juniors acusado de agredir a ex-companheira), mas, diante de protestos dos torcedores alvinegros, desistiram dos negócios. - foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press17 - Surto de Covid no elenco (novembro) - Ao longo da pandemia, jogadores e integrantes da comissão técnica do Atlético foram flagrados diversas vezes contrariando as recomendações sanitárias e participando, sem máscara, de eventos, festas e aglomerações. Em novembro, o clube registrou um surto de COVID-19 na Cidade do Galo. O vírus contaminou mais de uma dezena de jogadores, além do técnico Jorge Sampaoli e o diretor de futebol Alexandre Mattos. Nesse período, a equipe apresentou queda de desempenho no Brasileiro, ocasionada, entre outros motivos, pela grande quantidade de desfalques. - foto: Bruno Cantini/Atlético18 - Sette Câmara desiste de concorrer à reeleição (nvembro): Eleito em 2017 para o triênio 2018-2020, Sette Câmara desejava tentar reeleição em dezembro. Porém, foi demovido da ideia pelo grupo de empresários que o apoiaram ao longo do mandato. O objetivo da mudança era "pacificar o clube", já que o nome do atual presidente já não agradava importantes alas políticas do Atlético, especialmente por conta dos atritos recentes com Kalil. O vice Lásaro Cândido da Cunha já havia deixado claro que não concorreria. - foto: Pedro Souza/Atlético19 - Eleição de Sérgio Coelho (dezembro): Sem Sette Câmara, o grupo da situação no Atlético se reuniu para definir nomes consensuais para o comando do clube no próximo triênio. Os candidatos escolhidos foram Sérgio Coelho (presidente, à esquerda na foto) e José Murilo Procópio (vice, à direita), eleitos em pleito realizado no dia 11 de dezembro. Os dois tomarão posse em 4 de janeiro de 2021 para mandato que vai até o fim de 2023. A expectativa, agora, é pelo anúncio dos nomes que vão compor a próxima diretoria. - foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press20 - Título mineiro no feminino (dezembro): O último capítulo significativo da retrospectiva do 2020 atleticano é positivo. Em uma partida tensa e com reviravoltas, a equipe feminina derrotou o arquirrival Cruzeiro nos pênaltis - após marcar o gol de empate no último lance do tempo normal - e conquistou o Campeonato Mineiro. - foto: Bruno Cantini/Atlético