
Enquanto o treinador confirmou sua posição de que foi xingado primeiro pelo jornalista durante a entrevista coletiva e que, por esse motivo, reagiu com truculência, com palavrões e quase indo às vias de fato, Léo Gomide negou que tenha proferido qualquer termo de baixo calão dirigido ao comandante atleticano (veja depoimentos na íntegra no fim do artigo).
O caso
Na coletiva de quarta-feira, o treinador impediu que o repórter concluísse suas indagações sobre o mau desempenho do Atlético em campo alegando que ele não poderia fazer análise naquele espaço e sim perguntas sobre o duelo. Depois de algumas tentativas, Gomide preferiu abandonou a entrevista. Instantes depois, bastante nervoso, Oswaldo de Oliveira se dirigiu a ele com truculência, alegando ter sido xingado. O técnico citou expressões como “caralho, babaca e vai se fuder”.
Nenhuma câmera de TV ou transmissão de rádio registrou o suposto palavrão dirigido por Léo Gomide ao técnico. Mas, nesta quinta-feira, baseado em depoimentos de dois profissionais que estavam no local e que teriam confirmado o palavrão, um da Rádio Super, de Contagem, e outro da TV Globo do Acre, o Atlético decidiu proibir o repórter da Inconfidência de acessar a Cidade do Galo para realizar a cobertura do clube.
Ao longo do dia, em redes sociais e em programas nacionais de TV, o Atlético recebeu muitas críticas pela decisão de impedir o profissional de trabalhar na Cidade do Galo. A Rádio Inconfidência, a Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais prestaram solidariedade a Léo Gomide e protestaram contra a posição do clube.
A seguir, a íntegra dos depoimentos de Oswaldo de Oliveira e Léo Gomide à ESPN Brasil:
Oswaldo de Oliveira: “Em primeiro lugar, eu não tenho uma versão. Eu tenho os fatos que aconteceram. Se você quiser, eu relato os fatos. Versão, eu não vou falar em versão, porque só existe o fato. É o que eu vou relatar para você. Se vocês estiverem dispostos a ouvir, eu vou dizer para vocês o que aconteceu. Mas não considerem versão, por favor.
Bruno Vicari, apresentador da ESPN Brasil: “Pois não, então, Oswaldo. O que aconteceu?”
Saiba mais
Em seguida, Léo Gomide também entra ao vivo e se posiciona sobre o fato, negando ter xingado o treinador durante a entrevista coletiva.
Léo Gomide: “Estou ainda em Brasília, porque o voo na saída de Rio Branco atrasou e, desde as 2h35 da manhã, estou aqui esperando o retorno para Belo Horizonte. Bom, eu deixei Belo Horizonte na segunda-feira, assim como parte do elenco do Atlético, e segui para Rio Branco para fazer a cobertura pela Rádio Inconfidência e estive no jogo in loco. Um jogo que foi extremamente difícil, uma classificação pelo regulamento e pelo apresentado em campo eu considerei e ainda considero pertinente o questionamento que seria feito. Porém, em vários momentos fui interrompido com a justificativa de que um repórter não deve fazer a análise, só perguntar. Porém, eu tenho de embasar a minha pergunta. Mas, em todos os momentos, eu fui interrompido. Nesse momento, a jornada esportiva da Rádio Inconfidência havia sido encerrada à meia-noite e eu estava fazendo a transmissão apenas em perfil pessoal no Twitter através do Periscope. Quando chegou a minha vez de fazer o questionamento que eu gostaria a respeito especificamente do jogo, do que havia acontecido nos 90 minutos de partida, e ainda ponderei situações de logística, situações climáticas, em nenhum momento eu pude terminar o raciocínio com a alegação de que eu não poderia fazer uma análise, poderia apenas perguntar. Mas, repito, para perguntar, eu tenho que embasar. Se é muito longo, se é muito curto, talvez, eu acho que isso é algo que cabe às pessoas que coordenam o meu trabalho, de trazerem um feedback, até porque, quem viu o jogo, vocês da ESPN tenho certeza que assistiram à partida, se estivessem lá, com o nível de (palavra inaudível) que a emissora tem, muitos também teriam feito uma questão ou tentariam fazer uma questão similar à que eu gostaria de ter feito. Enfim, não pude fazer, fui interrompido em vários momentos, e quando percebi que seria um caminho sem volta, não adiantava mudar o teor da síntese da pergunta, da síntese do jogo, desliguei a minha transmissão pelo Periscope e disse que estava fazendo o meu trabalho. Repeti mais de três vezes que estava fazendo o meu trabalho e fui interpelado dizendo que eu que não deveria fazer análise, deveria fazer pergunta. Falei mais de três vezes ‘este é o meu trabalho e disse muito obrigado’. Virei minhas costas e fui desmontar o tripé, onde estava meu celular, quando abruptamente fui interpelado pelo treinador, que alega ter sido xingado, né? Não sei por que, não sei como. Mas alega. As três pessoas que, não sei se uma delas é a testemunha (do Oswaldo/Atlético), mas as três estavam com fone de ouvido, assim como eu também estava. Tem um funcionário do clube que, ao parece, não ouviu. Então, no Direiro, existe algo chamado prova negativa, quando você tem de provar algo que provam contra você, mas, na verdade, não existe uma prova (não há áudio do suposto xingamento). Então, esse é o meu esclarecimento. Tentei fazer o meu questionamento, não foi possível, tentei mais de uma vez dar outra abordagem à pergunta, não foi possível, e quando eu estava desligamento o meu equipamento aconteceu o fato que as imagens mostram. Foi emitida uma nota oficial (pelo Oswaldo) que foi um xingamento em nível de torcedor da arquibancada, né? Mas a gente que trabalha na comunicação sabe que o microfone ali, se é um torcedor de arquibancada, ele capta muito bem o áudio, mas não houve a captação de áudio, nenhuma (do xingamento). Existe uma alegação, mas nem prova negativa eu tenho de dar, porque não aconteceu (o xingamento).
Léo Gomide acrescenta sobre o episódio:
Léo Gomide: “Eu só queria fazer outra ponderação, porque enquanto eu aguardava para conversar com vocês, né?, eu ouvi rapidamente que essa situação já tinha acontecido com outros profissionais, outros treinadores. Eu sou setorista do Atlético desde 2011, né? O primeiro treinador ao qual eu tive contato foi o Dorival, depois chegou o Cuca, que ficou até 2013, depois tive o Autuori, depois o Levir Culpi, depois o Aguirre, depois o Marcelo Oliveira, depois o Roger Machado, Rogério Micale e o Oswaldo. Eu desafio qualquer treinador que eu citei que tenha ouvido qualquer palavra de baixo calão em algum momento, seja dentro do CT, seja em alguma viagem, seja em alguma entrevista. Ou qualquer outro profissional. Uma pergunta um pouco mais ríspida, mais pertinente, uma pergunta que talvez seja para instigar um pouco a resposta, eu confesso que muitas vezes procuro fazê-la, mas acredito que estou no meu papel, assim como – não é o caso desta quarta-feira, não é o caso desta quarta-feira, - assim como reconheço que em alguns casos eu já errei. Mas não neste caso, não neste caso.
Bruno Vicari: “Oswaldo, você quer dar sua opinião sobre a palavra do Léo?”
Oswaldo de Oliveira: “Com certeza. É lógico que ele não ia dizer aí o que ele falou ontem. Eu já disse a vocês que… Procurem o repórter da Globo do Acre, que ele vai dizer a vocês. Eu não tomaria aquela atitude se ele não fizesse isso. Vou pedir a vocês: vamos encerrar esse assunto, por favor. Já está se arrastando demais, não é o meu feitio, não gosto disso. Ele tem a opinião dele, eu tenho a minha. Não tomaria essa atitude deliberadamente, sem ter o motivo forte que eu aleguei aqui para vocês. Por mim, eu encerro por aqui. Não quero mais dar seguimento a isso. Por favor.”
Bruno Vicari: “Posso agradecer a presença do Oswaldo? Alguém quer… Não sei se o Léo tem mais algo a dizer para o Oswaldo. Léo, você tem? Posso agradecer a participação dele?”
Léo Gomide - Vicari, é, perguntar ao repórter do Acre recorre no que falei instantes atrás. Nem uma prova negativa, como diz o Direito, é preciso ser apresentada, nem uma prova negativa é preciso ser apresentada. Então, eu estou absolutamente tranquilo, de consciência tranquila. Pra mim, a viagem também é desgastante. Saí de Belo Horizonte na segunda, retorno só no fim da tarde desta quinta-feira. E existe hoje, Vicari, você sabe muito bem, pela força que tem os canais ESPN, pela força hoje que existe na rede social, da responsabilidade que existe na comunicação. E vou de novo bater na tecla: eu desafio quem um dia escutou uma palavra de baixo calão minha numa entrevista coletiva, seja na Cidade do Galo, seja em algum outro lugar, e que possa ter uma prova cabal de que eu ofendi alguém. Então, agradeço a vocês pela abertura do espaço, o assunto toma proporções muito grandes, principalmente pela questão das redes sociais hoje. Eu, particularmente, tenho um trabalho que é respeitado e que tem muita credibilidade através das redes sociais. Não à toa, já participei inúmeras vezes com vocês aí na ESPN também pelo trabalho que desempenho nas redes sociais. Acredito que se fosse uma pessoa ofensiva, se fosse pessoa que procura intimidar as pessoas, acho que não teria tantas oportunidades profissionais como eu tenho. Mas, enfim, se o Oswaldo quer que se coloque uma pedra sobre o assunto, pra mim também já está colocada, mas acho que deveria ser feito esse esclarecimento.