
A ação civil do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para suspender, em caráter liminar, jogos e eventos culturais no Mineirão dividiu opiniões entre os torcedores deficientes físicos, tanto do Atlético como do Cruzeiro. O Superesportes ouviu alguns fanáticos cadeirantes, que deram opiniões divergentes sobre o assunto.
O advogado atleticano Ronaldo Buhr, que compareceu aos dois jogos do Galo no novo Mineirão, considera o possível fechamento do estádio uma conquista para os cadeirantes. Para ele, o principal problema do Gigante da Pampulha está no acesso e no setor destinado aos deficientes, cujo preço é elevado.
”Eu mesmo fiz algumas cobranças junto ao Ministério Público. Para nós, cadeirantes, este fechamento é um ganho. Fui aos dois jogos do Atlético no Mineirão este ano e o estádio não está nos oferecendo segurança. No clássico, fomos obrigados a ficar em um setor de R$120, é um absurdo. Fora que, para acessarmos os elevadores, também precisamos parar o carro no estacionamento, que custa R$30. A acessibilidade não é boa, é uma maquiagem do estádio, um improviso”, disse Buhr.

”A deficiência é na comunicação. Do momento em que você compra o ingresso, até chegar nos funcionários com a camisa de posso ajudar. Esses, com certeza, em sua maioria, realmente não conhecem o estádio. Então o cadeirante tem o acesso dificultado. As instalações são boas”, disse Leônidas.
Outro cruzeirense, Renildo Dias discorda do colega. “O fechamento do estádio é uma medida radical, mas necessária, infelizmente. A sinalização para cadeirantes é ruim. No clássico, tive que estacionar do lado da torcida do Atlético, porque do lado do Cruzeiro não havia mais vagas, e tive dificuldade de locomoção. Por fim, assisti ao jogo em um lugar que não era destinado aos cadeirantes, mas foi onde me mandaram ficar”.
Independência também é alvo
Os cadeirantes ouvidos pelo Superesportes foram unânimes em reclamar também das instalações do Independência. Para eles, as reformas no Horto são ainda mais urgentes do que as do Mineirão.
”O Independência é pior, sem dúvidas, porque lá você não tem visão nenhuma. No Mineirão, entendo que os problemas são solucionáveis, no Independência eu não vejo solução. O local destinado aos cadeirantes é tampado por torcedores, que ficam em pé e impedem a nossa visão do campo”, disse Renildo.
O atleticano Ronaldo Buhr explica que os deficientes físicos mais frequentes no estádio chegaram a um acordo com a diretoria do Galo para ficarem no setor corporativo da BWA, onde há poucos torcedores, e assim terem a visão completa do campo, ainda que em um lugar improvisado.
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”Estamos tendo um direito cerceado. Outro receio nosso é que construam um camarote naquele setor, como estão planejando. Caso isso realmente ocorra, nós vamos perder também aquele lugar improvisado”, completou.
Renildo não se contenta com esse tipo de improviso, em nenhum dos estádios. “Esse jeitinho que sempre arrumam não é solução. Se eu quero ir ao estádio com amigos e familiares, tenho que ficar longe deles, pois só posso ficar em um setor específico? Isso é errado, tenho direito de ir ao estádio com amigos”.
Leônidas endossa o discurso dos demais cadeirantes. “Se querem interditar o Mineirão, precisam interditar o Independência primeiro. Lá, as dificuldades para cadeirantes são muito maiores”.