
Bob Faria, colunista do Superesportes, analisa as consequências dos acontecimentos de Atlético x São Paulo, envolvendo Hulk e Daronco
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Tudo o que chega, chega para completar algo que já está dentro de nós.
Pensar na força das palavras me faz pensar na força do perdão. Porque pedir perdão é uma coisa, mas esperar genuinamente que quem foi ofendido perdoe, é outra bem diferente.
Nossas raízes religiosas, sejam de que doutrina forem, nos pregam que perdoar é sublime, que é um ato de amor e de grandeza. Nos foi ensinado que perdoar nos torna maiores do que aquele que nos ofende. Mas ninguém nos ensinou a diferença entre perdoar e esquecer. E esquecer é muito, muito mais complicado.
Nossas raízes religiosas, sejam de que doutrina forem, nos pregam que perdoar é sublime, que é um ato de amor e de grandeza. Nos foi ensinado que perdoar nos torna maiores do que aquele que nos ofende. Mas ninguém nos ensinou a diferença entre perdoar e esquecer. E esquecer é muito, muito mais complicado.
Quando alguém te machuca tanto a ponto de você tentar e não conseguir perdoar, você reza (e aí mais uma vez é uma figura de linguagem) para que a coisa mais próxima do perdão lhe atinja. O esquecimento.
Você quer que aquilo se apague da sua memória. O problema é que isso simplesmente não vai acontecer. Tudo vai continuar lá. E vai continuar num lugar bem pior, um lugar cujo acesso você normalmente não tem controle. O seu subconsciente. E em algum momento virá à tona.
Quem bate até releva, quem apanha não.
Palavras duras foram ditas após o jogo entre Atlético e São Paulo. E não foram palavras quaisquer. Foram palavras de intimidação, de revanchismo, de, no mínimo, má vontade de um árbitro para com um atleta.
Só relembrando, segundo o Hulk, Anderson Daronco o advertiu para que tomasse cuidado com o que iria dizer após o jogo, porque esta não seria a última partida em que eles se encontrariam.
Como Daronco preferiu não se pronunciar sobre o episódio, o que temos até agora é a palavra do jogador do Atlético. E assumindo que não foram ditas de cabeça quente, ou simplesmente um desabafo jogado ao vento, são palavras que denotam uma relação muito distorcida e contaminada entre árbitro e atleta.
Acreditem, 90% do que se diz dentro de campo é impublicável. São expressões e diálogos que se encerram no próprio jogo. É normal! Mas algumas coisas, e esse é um caso, precisam ser esclarecidas, porque mesmo que haja perdão, as palavras já foram ditas e estarão guardadas em algum lugar.
E mais cedo ou mais tarde, se não forem explicadas podem causar um estrago ainda maior.