Torcidas de Atlético e Cruzeiro: entenda a questão política (Foto: Juarez Rodrigues e Ramon Lisboa/EM/DAPress)
Torcedor do Cruzeiro com bandeira do presidente Bolsonaro (PL) (Foto: Bernardo Estillac/EM/D.A Press)
Houve apoio, mas também indignação de torcedores celestes, que questionaram como fanáticos de um clube fundado predominantemente por operários poderiam celebrar o atual incumbente à reeleição.
Para refletir sobre esse assunto, o Superesportes ouviu especialistas na área.
Com pensamento semelhante, Marcelino Rodrigues da Silva, que é professor da Faculdade de Letras da UFMG e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes (FULIA), entende que não há ligação direta entre os partidos e os clubes da capital.
Já acerca do Atlético, ele comenta: "O Atlético foi criado por jovens das elites, mas depois se popularizou, se tornou um clube de massa, com símbolos que remetem a isso. Mas continua tendo forte representação nas elites".
Sobre o Cruzeiro, por sua vez, Marcelino destaca: "O Cruzeiro foi criado pelos membros da comunidade de imigrantes italianos, que eram predominantemente das classes trabalhadoras. Mas alguns deles pertenciam às elites, eram empresários e comerciantes".
Resistência Azul Popular, do Cruzeiro (Foto: Twitter/RAP)
Esquerda ou direita?
Fundado pela elite, o Atlético se popularizou (Foto: Centro Atleticano de Memória )
"Apesar da pouca diferença de idade para Atlético e América, o advento do Cruzeiro acontece noutra conjuntura histórica. Foi fundado no pós-guerra, quando já não existiam mais os grandes impérios (Russo, Austro-Húngaro, Turco-Otomano). O contexto do Palestra é composto por imigrantes italianos que foram ficando em BH após a fundação da cidade – a ideia era que eles fossem embora após 1897", pontuou.
"Esses italianos foram se desenvolvendo economicamente na cidade, no comércio e nos serviços, e, inspirados nos paulistanos que haviam fundado o Palestra Itália/Palmeiras (1913), a colônia fundou o seu próprio em 1921. Nasceram fortes, com notoriedade social e, por que não, também elitistas", afirma.
Política e futebol: ligações indiretas
Campanha do Cruzeiro na rodoviária de Belo Horizonte (Foto: Reprodução)
Em 2015, a Raposa fez uma ação de marketing em rodoviárias do estado divulgando o plano de sócios popular, então ao custo de R$ 12. "Seja sócio do Time do Povo", dizia a campanha. Os torcedores celestes compraram a ideia e passaram a utilizar o termo de forma constante em conversas e em postagens nas redes sociais.
Atlético divulgou ação de marketing em Confins (Foto: Perfil 252/divulgação)
E ele complementa: "Pode ser que, de alguma forma, algum clube ou sua torcida assuma eventualmente um significado mais ligado a uma determinada classe ou posição política. Mas isso acaba sendo, de alguma forma, deslocado pela dinâmica simbólica do jogo, que não é um simples espelhamento da política, tem a sua lógica própria".
Atlético respondeu a campanha do Cruzeiro (Foto: Reprodução)
Acenos nas campanhas
Lula e Bolsonaro já posaram com camisas do Atlético (Foto: Reprodução/redes sociais)
O nome dele foi dado pelo pai em homenagem ao jogador Jair da Rosa Pinto, que atuou no Palmeiras nos anos 1940. Apesar disso, o presidente já disse que tem simpatia pelo Verdão e por vários clubes, como Botafogo e Flamengo.
Voltando à bandeira que dá início a esta matéria, o torcedor Fernando Correa, integrante da "Direita Azul", carregava o mastro e disse que o grupo ainda é pequeno. "Somos cruzeirenses de direita. Temos de 200 a 300 integrante".
O Cruzeiro também possui organizadas identificadas com a esquerda, como a "Resistência Azul Popular". Além disso, uma das bandeiras mais tradicionais da "Máfia Azul" foi feita em homenagem ao revolucionário marxista, médico e guerrilheiro Che Guevara, morto em 1967.
Xará, da torcida Mafia Azul, que estampou bandeira com rosto de Che Guevara em 2003 (Foto: Foto Beto Novaes/Estado de Minas)
O mesmo ocorre com o Galo, que tem grupos de diferentes identidades políticas.
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Alexandre Kalil (PSD) - Atlético (ex-presidente do clube)
Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Cabo Tristão (PMB) - não informado
Foto: Divulgação
Carlos Viana (PL) - Cruzeiro
Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press
Indira Xavier (UP) - CRB (simpática ao Cruzeiro em Minas Gerais)
Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Lorene Figueiredo (PSOL) - Roma, do futebol de várzea do Dom Bosco (bairro de Juiz de Fora); 'Os grandes times eu abandonei depois da financeirização e da cartolagem. Mas tenho simpatia por todos os times que têm tradição de luta à esquerda na política, como o Corinthians, o Internacional e o Bahia', afirmou a candidata ao Superesportes
Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Lourdes Francisco (PCO) - Atlético
Foto: Divulgação
Marcus Pestana (PSDB) - Cruzeiro
Foto: Reprodução
Renata Regina (PCB) - Atlético
Foto: Túlio Santos/EM/D.A Press
Vanessa Portugal (PSTU) - 'Não tenho preferência, de verdade', declarou ao Superesportes
Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Romeu Zema (Novo) - Araxá
Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
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