Caso a defesa de Robinho apresente contestação após a citação, o processo será distribuído para um relator da Corte Especial (Foto: AFP)
A presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministra Maria Thereza de Assis Moura, determinou nessa quinta-feira (23) a citação do ex-jogador de futebol Robinho, 39, condenado em última instância por ter participado de um estupro coletivo na Itália. A citação faz parte do processo de homologação da sentença italiana que o condenou a nove anos de reclusão pelo crime.
Por meio do Ministério da Justiça brasileiro, a Itália entrou no STJ com o pedido de homologação da decisão que condenou o ex-jogador. O objetivo é que a pena seja cumprida no Brasil.
Jogadores acusados de estupro
Robinho, ex-jogador da Seleção Brasileira, foi condenado na Itália por estupro coletivo, em janeiro de 2013, enquanto ainda defendia o Milan
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Brandão foi detido por suposto estupro em 9 de março de 2011, na França. Ele foi denunciado por uma jovem de 24 anos, que afirmou ter sido violentada pelo jogador em um automóvel após sair de uma discoteca em Aix-en-Provence. O atacante jogou no Cruzeiro em 2011
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Em 2005, o atacante do Manchester United foi acusado por uma jovem inglesa de abuso sexual numa suíte de luxo do Hotel Sanderson, em Londres. Não houve provas suficientes para incriminar o atacante. CR7 sempre negou as acusações.
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Nos tempos de atleta, Cuca, ex-técnico de Cruzeiro e Atlético, foi condenado na Suíça de por supostamente ter estuprado uma menina de 13 anos. Ele e outros dois gremistas (Eduardo e Henrique), também acusados, ficaram 28 dias presos.
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Em 2013, o ex-atleticano Danilinho foi acusado de estupro e ameaça de morte por uma garota de 18 anos. O caso foi encerrado e o brasileiro não foi considerado culpado.
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Em 2012, o atacante inglês Evans, então jogador do Sheffield United, foi condenado a cinco anos de prisão por estuprar uma garota durante uma festa. Ele ficou preso durante a metade da pena
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O jogador do América foi condenado, em 2011, a dois anos e oito meses de prisão por supostamente ter estuprado uma jovem italiana em 2010. O atleta diz ser vítima de extorsão. O caso ainda está na Justiça.
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O atacante Marcelinho Paraíba foi detido em 2011 após tentativa de estupro durante uma festa. Uma mulher acusou o atacante de forçar relações sexuais, alegando ferimentos no lábio. Ele foi inocentado por ausência de provas.
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Hoje atacante do Chelsea, Remy foi preso em 2013 por suposto abuso sexual a uma mulher, mas foi liberado sob pagamento de fiança.
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Ex-jogador do Vasco, Valdiram sempre conviveu com problemas fora das quatro linhas. Foi acusado de suposta tentativa de estupro, além de outros crimes.
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Também nessa quinta, o ministro da Justiça, Flávio Dino, confirmou a admissão administrativa do pedido italiano e a remessa do caso ao STJ. "A tramitação jurisdicional foi iniciada", disse nas redes sociais.
A citação determinada pela presidente do STJ é a primeira fase do processo de homologação.
No pedido, há uma nota técnica em que o Ministério da Justiça informa que a Constituição Federal impede a extradição do ex-jogador por ele ser um brasileiro nato.
Em novembro do ano passado, o governo brasileiro, ainda com Jair Bolsonaro (PL) na presidência, negou a extradição solicitada pela Itália em outubro do mesmo ano.
Segundo nota divulgada pelo STJ, a solução apontada pelo Ministério da Justiça brasileiro é a transferência da execução da pena, conforme estabelece artigos da Lei de Migração e do Tratado Bilateral de Extradição entre Brasil e Itália.
Apesar do amparo legal, a ministra afirmou nesta quinta que o caso é complexo.
"O STJ ainda não se pronunciou, por meio de sua Corte Especial, acerca da possibilidade de homologação de sentença penal condenatória para o fim de transferência da execução da pena para o Brasil, notadamente nos casos que envolvem brasileiro nato, cuja extradição é expressamente vedada pela Constituição brasileira", afirmou.
Caso a defesa de Robinho apresente contestação após a citação, o processo será distribuído para um relator da Corte Especial. No caso de não haver contestação, a atribuição de homologar sentença estrangeira é da presidência do tribunal.
Robinho foi condenado por ter participado de um estupro coletivocontra uma jovem albanesa em uma boate de Milão em 2013. O Superior Tribunal Italiano confirmou a condenação em janeiro de 2022 e não há mais possibilidade de apelação.
A presidente do STJ intimou a Procuradoria-Geral da República para que consulte os bancos de dados e indique um endereço para que o ex-jogador possa ser citado.
Durante o processo, a defesa disse que o ex-atleta é inocente. Os advogados de Robinho afirmaram que não há provas de que a relação com a vítima não foi consensual. Disseram ainda que o processo contém falhas e que Robinho foi "massacrado pela mídia".
Segundo investigação do Ministério Público, Robinho e outros cinco brasileiros praticaram violência sexual de grupo contra a vítima, que foi embriagada por eles e, inconsciente, levada para o camarim do estabelecimento, onde foi estuprada várias vezes. Por terem deixado a Itália durante a investigação, os outros quatro homens não puderam ser notificados, e o caso deles foi desmembrado do processo.
A acusação foi baseada no depoimento da vítima e em conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça italiana, incluídas como provas no processo.