Sérgio Santos Rodrigues ainda não conseguiu resolver todos os problemas do Cruzeiro (Foto: Igor Sales/ Cruzeiro)
Para tristeza dos torcedores celestes, a crise do Cruzeiro não acaba nunca. Um novo episódio ganhou as manchetes nesta quarta-feira. O clube foi punido pela Fifa e está proibido de registrar novos jogadores por não quitar a dívida de cerca de R$ 7 milhões com o Defensor, do Uruguai, pela compra de Arrascaeta em 2015. O advogado do clube uruguaio, Eduardo Carlezzo, disse que já esperava o calote e alertou para o risco de rebaixamento.
"Esse é um caso que está se arrastando por um bom tempo, pois trata-se de dívida antiga. Conhecedores da situação do Cruzeiro, não tínhamos expectativa quanto ao pagamento, portanto apenas esperamos os 30 dias vencerem para pedirmos a execução da punição", disse Carlezzo, em entrevista ao Superesportes.
"Eu mantenho contato com o CEO do clube, Paulo Assis, que é um profissional competente e a quem eu respeito muito, porém sabemos do alto endividamento do clube e que as alternativas são limitadas", acrescentou o advogado.
O Cruzeiro ficará proibido de registrar novos jogadores até fazer o pagamento da dívida. Caso siga sem pagar após três janelas, o clube pode perder pontos ou ser rebaixado, explica Carlezzo.
"Essa punição ficará vigente pelas próximas três janelas de transferência ou até que o Cruzeiro pague. Caso não pague ao final deste período, a gravidade da sanção aumentará, podendo ser aplicável a perda de pontos ou o rebaixamento", afirmou o advogado.
O Cruzeiro contratou Arrascaeta em janeiro de 2015. A negociação naquela época já despertou polêmica, porque o clube celeste aceitou pagar 4 milhões de euros pelo camisa 10 (R$ 12 milhões na cotação daquela época), além de US$ 3,4 milhões (R$ 9 milhões) pelo desconhecido atacante Latorre por exigência do empresário Daniel Fonseca.
O então presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, aceitou o negócio, que foi conduzido por Valdir Barbosa. Latorre nunca jogou profissionalmente pelo time celeste, que pagou R$18,5 milhões ao Atenas, do Uruguai, em maio de 2019.
Dívidas pagas pelo Cruzeiro na Fifa
Willian - o Cruzeiro pagou R$ 9.229.057,22, já com acréscimo de impostos, além de multa e custos da Fifa, no montante de R$ 328.107,03. O clube devia ao Zorya FC, da Ucrânia, parte dos valores da contratação fechada em julho de 2014.
Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press
Paulo Bento - o valor liquidado, com inserção dos juros, foi de R$ 454.358,75, somado a R$ 58.333,69 de multa e custas do processo. O técnico português e seus auxiliares cobravam valores da rescisão contratual fechada em julho de 2016.
Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
Ramón Ábila - o Cruzeiro pagou ao centroavante argentino R$ 716.729,09, além de R$ 29,166,85 de multa na Fifa. O acordo foi anunciado em 16 de outubro de 2020.
Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
Caicedo - o Cruzeiro se comprometeu a pagar ao Independiente del Valle, do Equador, 18 parcelas de 132 mil dólares (R$ 704 mil) pela contratação do zagueiro equatoriano. A quantia total é de US$ 2,376 milhões (R$ 12,6 milhões).
Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
Pedro Rocha - o Cruzeiro pagou mais de R$ 3 milhões pela contratação do atacante que pertence ao Spartak Moscou e atualmente está emprestado ao Flamengo. Dentro dessas cifras constam a dívida com o clube russo, imposto de renda e custas processuais na Fifa.
Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press
Rafael Sobis - o Cruzeiro fez acordo para pagar cerca de R$ 17 milhões ao Tigres, do México, pela aquisição fechada em junho de 2016. Mais de 90% da dívida foi honrada em 10 de julho.
Foto: Igor Sales/Cruzeiro
Gonzalo Latorre - o Cruzeiro pagou R$ 18,5 milhões ao Atenas, do Uruguai, em 8 de maio de 2019. O detalhe é que o atacante de 24 anos jamais atuou pela equipe principal da Raposa. Ele foi contratado como ''contrapeso'' à negociação pelo meia Arrascaeta, em janeiro de 2015.
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Outro risco de rebaixamento
No ano passado, o time celeste começou a Série B com menos seis pontos por não ter pagado o Al Wahda pelo empréstimo de seis meses do volante Denilson. O Cruzeiro ainda não pagou esta dívida. Caso não pague o clube dos Emirados Árabes Unidos, a Raposa corre o risco de ser punida com o rebaixamento. Ainda não há data final para quitar este valor.
Em setembro do ano passado, o Cruzeiro já tinha sido impedido de registrar atletas em função de uma dívida com o Zorya, da Ucrânia, pela compra do atacante Willian, em 2014. O clube pagou os ucranianos em outubro.
Em novembro de 2020, o Cruzeiro voltou a ser punido pela Fifa e não conseguiu registrar jogadores em razão de uma dívida com o PSTC, agremiação de futebol do interior do Paraná, pelo zagueiro Bruno Viana. Em fevereiro deste ano, o Cruzeiro quitou o valor.