(Foto: Beto Magalhaes/Estado de Minas )
Apesar do peso dos 75 anos, ele resolveu voltar à cena política no ano passado. O motivo, segundo ele, é a falta de representatividade do torcedor. Organizou a oposição, mas não concorreu às eleições. “Eu cogitei minha candidatura porque, naquele momento, queria dar voz à torcida e aos associados. Hoje, infelizmente, o conselho está sendo subserviente ao grupo político que ocupa a diretoria”, critica.
Mesmo com apoio de grande parte dos torcedores, a oposição não encontrou respaldo entre os conselheiros. Gilvan de Pinho Tavares, candidato da situação, foi eleito com 391 votos. A oposição recebeu 48. “Eu e o Alberto Rodrigues tivemos 83% de aprovação da torcida, mas o conselho não ouve”, lamenta.
Na eleição, votam apenas conselheiros efetivos, natos e beneméritos. A participação do associado restringe-se à eleição do conselho. “O Cruzeiro tem que abrir as portas ao torcedor e ampliar a participação dos sócios. Sempre fomos um clube do povo. Temos que nos valer da nossa história. E essa mudança tem que ser feita o mais rápido possível. Os próprios conselheiros têm que ter esse compromisso”.
Masci defende a alteração do estatuto do Cruzeiro. “Tem que haver um movimento dos associados para a mudança do estatuto. Ele é inconstitucional. O clube não é democrático”, protesta. Uma futura candidatura à presidência do Cruzeiro, contudo, está descartada. “Gostaria de ser presidente novamente, mas não tenho condições. Já tenho 75 anos de idade, e o cargo exige que esteja em plena condição de saúde”, diz.
O ex-dirigente lamenta a situação atual pela qual passa a equipe celeste. Diz que o Cruzeiro paga pelo planejamento equivocado - contratações em excesso e sem qualidade. “Estou afastado, mas sei que com o dinheiro que recebe anualmente dos direitos de televisão dá para se montar um time competitivo, para briga por título e Libertadores em igualdades de condição com qualquer equipe”.
Ele acredita que Gilvan, a partir do ano que vem, possa reerguer o clube. “Temos uma perspectiva muito boa. Esperamos que o Gilvan faça uma equipe à altura do Cruzeiro. O orçamento é muito grande, e ele tem condições”, avalia.
Presidência: “Volta do protagonismo internacional”
(Foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas )
Com a eleição de César Masci à presidência, o Cruzeiro alcançou o protagonismo de décadas passadas. Conquistou títulos importantes e contratou jogadores de prestígio. O nome de maior repercussão na época foi o de Renato Gaúcho. Mesmo ficando apenas quatro meses, ele fez história. Em uma das atuações mais brilhantes, na final do Campeonato Mineiro contra o América, marcou três gols.
“Fizemos ótimas contratações. Lembro-me do Charles, Mário Tilico, Boiadeiro, Luizinho, Douglas, Dida, Renato Gaúcho... foram muitos. Procuramos trazer jogadores à altura do clube. O Cruzeiro era um time grande e por isso precisava de grandes jogadores”.
Masci explica a receita para contratar sem onerar os cofres: “Nós nunca fizemos negócios inviáveis, que comprometesse os recursos. Para isso, observávamos bem o mercado", afirma. "O Renato Gaúcho, por exemplo. Ele estava em litígio com o Botafogo. Sabendo disso, fizemos uma boa proposta. Não pagamos pelo passe, apenas os salários”, complementa.
Na época, o Cruzeiro mantinha uma administração equilibrada. “Tínhamos um grupo grande de associados que contribuía regularmente e bom público nos jogos, que permitiam pagar a folha salarial em dia”, explica.
Masci, que sucedeu os irmãos Benito e Salvador na administração, ressalta o empenho da família para regularizar a situação financeira do clube. “Quando chegamos, funcionários e jogadores estavam na Justiça. Em algum tempo, saneamos tudo. Pagamos todas as dívidas. Deixei o Cruzeiro com salários em dia e com um grande time”.
Ronaldinho: “Venda fenomenal”
(Foto: Washington Alves/EM/D.A Press)
Mesmo ainda jovem, Ronaldo já era um dos destaques do time. No Campeonato Brasileiro de 1993, marcou 12 gols em 14 partidas. Em um jogo memorável, assinalou cinco gols contra o Bahia – um deles, roubando a bola do goleiro Rodolfo Rodríguez.
No ano seguinte, foi artilheiro do Campeonato Mineiro, com 22 gols. Convocado à Seleção Brasileira para Copa do Mundo teve seu passe valorizado. No Cruzeiro, marcou 56 gols em 58 partidas antes de ser vendido ao PSV.
“Vendemos por 6 milhões de dólares. Naquela época foi uma venda maravilhosa. Um garoto de 17 anos ser vendido por esse valor era surreal. O Rai do São Paulo, dois meses antes, foi vendido por dois milhões e meio de dólares. E ele era o maior nome do futebol brasileiro. Era o camisa 10 da Seleção”, justifica.