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Diogo em competição na Austrália |
Mesmo sendo um país olímpico, sede dos Jogos em 2016, o Brasil ainda convive com uma histórica cultura monoesportiva, baseada fundamentalmente no futebol. Quem sofre na pele com essa realidade são os atletas de esportes menos populares.
A conquista da vaga olímpica não mudou a realidade do triatleta Diogo Sclebin, carioca radicado em Belo Horizonte há seis anos. Considerado um dos melhores atletas da modalidade - está ranqueado na 70ª posição de acordo com a União Internacional de Triatlo (ITU) -, Diogo ainda não tem grandes patrocinadores e vive com o dinheiro que recebe em premiações.
Outra fonte de renda é a bolsa atleta – incentivo do governo federal no valor de R$ 1.850 mensais durante um ano. Mas ela ainda não está sendo depositada. “O governo tem uma burocracia a seguir. Eles se confundem com algumas coisas, mas pagam sim”, diz.
“Muito do que ganho vem dos bons desempenhos em competições. Participo de 20 a 25 torneios por ano”, conta. Neste fim de semana, ele viajará para Belém-PA. Vai em busca de R$ 4 mil. “Muitas vezes, preciso deixar de competir em um torneio que poderia vencer e receber boa premiação, para ir para outra prova que conta pontos no ranking mundial e dá vaga à Olimpíada”.
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Bicicleta moderna é o equipamento mais caro |
Aos 30 anos, doze deles dedicado ao esporte, Diogo lamenta por não ter condições financeiras de realizar alguns sonhos. “Até hoje ainda não comprei meu carro. Tenho que investir o dinheiro para ter uma bicicleta competitiva”.
Mesmo com as dificuldades, Diogo está confiante em um bom resultado em Londres. A meta da Confederação Brasileira de Triatlo (CBTRI) é colocar um dos três representantes do país (além de Diogo, Reinaldo Colucci e Pâmela Oliveira conseguiram vaga) entre os 10 primeiros. O melhor resultado já conquistado no triatlo foi o décimo primeiro lugar de Sandra Soldan em 2000, ano de estreia da modalidade em Olimpíada.
“A gente sabe que medalha é bem difícil. Mas eu me apego a um dado curioso. Em Jogos Olímpicos, sempre um medalhista é considerado uma grande surpresa. Quem sabe dessa vez não pode ser eu?”, acredita.
Diogo, juntamente com o restante da delegação brasileira de triatlo, embarcará para a Europa dia 15 de julho. A aclimatação e a finalização da preparação serão feitas em Rio Maior-POR, a 100 km de Lisboa. A data prevista para chegar a Londres é dia 3 de agosto. Quatro dias depois, os atletas disputam a tão sonhada medalha olímpica.
Aplicado, Diogo dedica quase integralmente seu tempo aos treinamentos. Como o triatlo é a junção de ciclismo, natação e corrida, ele divide os horários dos seus exercícios. Pela manhã, de 9h às 11h, ele pedala. Em média, semanalmente, percorre de 250 a 300 km.
À tarde, por volta das 17h, pratica natação em uma academia da capital. Ao todo, durante a semana, Diogo nada 20 km na piscina. O terceiro e último turno de treinamentos ocorre às 20h, no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. São 70 km de corrida durante a semana.
Alimentação Para suportar essa rotina intensa de treinamentos, Diogo consome cerca de 5 mil calorias por dia. Três mil a mais do indicado por especialistas para pessoas saudáveis. Ele, no entanto, não faz acompanhamento periódico com nutricionistas.
“Sei o que posso comer. Evito comidas gordurosas, mas como quase de tudo um pouco. Sem exageros”, explica.
Diogo faz cinco refeições ao dia. No café da manhã, come pães e leite. Um prato com arroz, feijão, carne e salada é o ideal no almoço. Frutas, sucos e pães são ingeridos em um lanche à tarde. No jantar, uma massa acompanhada de salada. E, para fechar o dia, um lanche antes de dormir.
Triatlo A modalidade foi incluída nos Jogos Olímpicos em Sidney, em 2000. A disputa é individual e dividida por sexo. Tanto no feminino como no masculino, são 55 atletas que percorrem 1.500 metros de natação, 40 km de ciclismo e 10 km de corrida. Os favoritos para o ouro em Londres são os russos Alexander Bryukhankov, Dmitry Polyanskiy e o inglês Jonathan Brownlee.